
O que era para ser mais uma celebração do samba, da memória de João Nogueira e da força do Carnaval de rua em Copacabana acabou se transformando, nesta terça-feira, em um dos episódios mais criticados da folia carioca deste ano. O bloco comandado por Diogo Nogueira, anunciado previamente como um dos pontos altos do dia, gerou uma enxurrada de reclamações de foliões que se sentiram desrespeitados pela condução do evento.
Segundo dezenas de relatos publicados nas redes sociais do próprio artista e do Clube do Samba, o bloco atrasou de forma significativa, com público concentrado desde as 10h da manhã sob sol forte, sem qualquer música ou animação enquanto aguardava o início. O cantor só teria subido ao trio por volta de 12h20 ou 12h30, após mais de duas horas de espera, em um cenário descrito por muitos como caótico e mal organizado. Eram milhares de foliões que ocupavam praticamente um quarteirão inteiro do calçadão, das duas pistas e da calçada dos prédios da Avenida Atlântica.
Quando finalmente começou, o que se viu foi um show considerado extremamente curto. Comentários recorrentes falam numa apresentação de 30 minutos, com poucos sambas executados, encerramento abrupto e ausência até mesmo de uma despedida clara ao público. “Atrasou mais de uma hora e cantou no máximo dez músicas”, escreveu um folião. “Esperamos achando que ia voltar, e simplesmente tinha acabado”, relatou outra seguidora. Notava-se a presença de um público multifacetado, de todas as idades, com famílias e até idosos.
As críticas não se limitaram ao tempo de apresentação. Houve queixas sobre som ruim, falhas técnicas, ausência de banheiros químicos, falta de isolamento adequado das ruas e uma corda de separação que, segundo o público, deixou a maioria das pessoas espremida do lado de fora, mesmo se tratando de um evento em via pública. Para muitos, a sensação foi de improviso e desprezo pela multidão que lotava Copacabana.
O tom de indignação ficou ainda mais forte diante do calor intenso. Foliões relataram que, enquanto esperavam sob sol próximo dos 40 graus, o artista teria publicado vídeos e fotos em ambiente climatizado, o que ampliou a percepção de descaso. “Só quem estava lá sabe. Um calor absurdo, horas esperando, para ele chegar e cantar 30 minutos”, escreveu uma seguidora. Outra resumiu: “Falta de respeito com o público”.
Chama atenção também o contraste com edições anteriores. Muitos comentários destacam que o bloco já foi considerado um dos melhores do bairro, elogiado pela energia e pela celebração do samba. “Sempre fui, sempre foi bom, mas esse ano foi muito abaixo do esperado”, diz um dos relatos. Para frequentadores assíduos, 2026 representou uma quebra dolorosa de expectativa.
Até o início da noite, não havia sido publicada nenhuma nota de esclarecimento ou pedido de desculpas por parte da organização ou do artista, algo que também foi duramente criticado pelos foliões. “Uma explicação ao público seria o mínimo”, escreveu um seguidor, ecoando o sentimento geral de quem se sentiu ignorado após horas de espera. Perto das 21h, Diogo se pronunciou, finalmente, em sua conta no Instagram, e alegou problemas técnicos e o atraso do carro de som (trio elétrico), que teria ficado retido.
O episódio reacende um debate antigo do Carnaval de rua carioca: o equilíbrio entre grandes nomes, logística, respeito ao público e responsabilidade com eventos que reúnem milhares de pessoas em espaços abertos. Quando isso falha, a festa perde o brilho e deixa, no lugar do samba, um gosto amargo de frustração.