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30% DOS PMs QUE ATUAM EM ÁREAS VIOLENTAS TÊM PROBLEMAS PSICOLÓGICOS

O chefe do Núcleo de Psicologia da Polícia Militar (PM), tenente-coronel Fernando Derenusson, afirmou que aproximadamente 30% dos policiais que atuam em áreas com elevado índice de violência sofrem problemas psicológicos. A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Nova Brasília e os batalhões de Irajá, Rocha Miranda e São Gonçalo são os locais em que há o maior número de agentes com transtornos mentais. As informações foram divulgadas durante reunião, nesta quinta-feira (17/03), da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) destinada a investigar os autos de resistência e mortes decorrentes de ações policiais no estado, presidida pelo deputado Rogério Lisboa (PR).

O chefe de psicologia da PM afirmou que o elevado estresse dos agentes pode levá-los a agir com maior violência. Derenusson explicou que foi elaborado, em conjunto com o Laboratório de Análise de Violência da UERJ, um índice que estipula o número ideal de tiros que um policial deve disparar. A contagem é variável e depende do tipo de função do policial e do nível de violência do batalhão onde ele trabalha: “Caso o agente faça mais disparos do que o estipulado pelo índice, ele é encaminhado para um treinamento específico que envolve o acompanhamento psicológico. Queremos conscientizar os policiais a diminuírem o uso da violência”, ressaltou o tenente-coronel.

O deputado Paulo Ramos acredita que a segurança pública só vai melhorar se não for centrada no combate e na guerra. “O foco tem que ser o controle da criminalidade e não a eliminação do criminoso. Os agentes da PM e a população civil estão sendo mortos. O policial ainda tem que enfrentar péssimas condições de trabalho. Para piorar, os agentes que vão para a rua e cometem erros muitas vezes são abandonados nos bancos de réus e não recebem auxílio judiciário da corporação”, disse o parlamentar.

Atualmente, a PM conta com 95 psicólogos. Para descobrir os principais motivos que levam os policiais a agirem com violência, o núcleo de psicologia está elaborando o Programa Especial de Treinamento e Acompanhamento Psicológico (Petap). Os profissionais do núcleo estão entrevistando todos os agentes dos batalhões mais violentos do estado.

‘Mentalidade da guerra’
O trabalho já foi concluído no 41º e no 9º batalhões, respectivamente em Irajá e Rocha Miranda. De acordo com Derenusson, os resultados mostram que os policiais reclamam da falta de treinamento, das condições precárias de trabalho e da pressão da sociedade. “Para a população, os policiais são os únicos servidores públicos que não podem cometer erros. Outro problema é a mentalidade histórica da guerra e do uso de violência. Temos que acabar com esse tipo de pensamento”, declarou o psicólogo.

Derenusson ainda destacou que a PM também está desenvolvendo um programa específico para os policiais que mais realizam disparos com armas de fogo. “Esse programa é mais centrado no policial da ponta, que convive com a violência. Criamos um ranking dos agentes que mais atiram e estamos começando a treiná-los”, explicou. Também estiveram presentes à reunião os deputados Wanderson Nogueira (PSB), Waldeck Carneiro (PT) e Marcelo Freixo (PSol).

(Texto de Gustavo Natario)

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