
Por Chico Alencar*
A partir deste domingo (06/07), o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio recebe o BRICS, grupo criado em 2006 para dar protagonismo a países emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e, desde 2010, África do Sul – além de outros países que entraram recentemente, como Indonésia, Egito e Irã).
Ao longo de sua trajetória, o fórum se legitimou como uma das grandes vozes do Sul Global, tratando de temas como combate à pobreza e à fome, FMI e Banco Mundial e segurança internacional.
A atual cúpula ocorre sob pressões intensas. De um lado, a imprevisível política externa dos EUA, fortemente protecionista, fragiliza ainda mais uma já moribunda Organização Mundial do Comércio.
De outro, observa-se o desprezo radical à ONU e suas organizações, como a OMS. A intervenção militar direta de Trump no conflito Israel-Irã representa uma afirmação de poder unilateral e de desrespeito às regras internacionais. A desdolarização — ou seja, a superação do dólar como única moeda mundial de troca — é outro tema delicado, frente ao qual o poder hegemônico dos EUA, agora em xeque, tem demonstrado preocupação.
É nesse contexto que se realiza o evento, marcado por temas sensíveis que exigem delicada costura diplomática. Encontrar consensos é um desafio adicional dada a sua heterogênea composição.
Diante da desordem do sistema internacional pós-Segunda Guerra e da agressividade dos EUA, o BRICS tem a oportunidade de se afirmar como contrapeso. A formação de um sistema internacional multipolar, baseado no equilíbrio de poder, constitui uma condição viável para superar a unipolaridade instaurada após o fim da URSS.
Este pode ser o início de uma nova ordem mundial, na qual as relações internacionais ocorram sob o signo da previsibilidade, com uma distribuição de poder menos desigual e uma agenda que dê destaque a temas essenciais para a humanidade: paz mundial, combate à fome e pobreza e preservação ambiental.
*Chico Alencar é escritor, professor de História e deputado federal eleito pelo PSOL-RJ
As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.