
Wagner Victer
Wagner Victer é Engenheiro, Administrador, Jornalista, morador da Ilha do Governador e torce para o Fluminense e para a Portuguesa
Acabamos de sair de junho, mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, quando ações voltadas à sustentabilidade ocorreram em todo o mundo. Já em julho começa o período em que os ipês começam a florescer — inicialmente os roxos e rosas — que, com o cair das flores, formarão lindos tapetes coloridos.
O lindo florescer dos ipês foi eternizado pelo consagrado jornalista Ancelmo Góis, que reproduzia em sua coluna fotos de leitores com a chamada: “Começa a Temporada dos Ipês”. Essa temporada se estende até novembro, com o florescer dos ipês brancos, amarelos e os verdes. Aliás, o ipê-amarelo é considerado a árvore símbolo do Brasil.
Um dos projetos dos quais me orgulho muito é a criação de seis viveiros de mudas, quando fui presidente da Cedae — inclusive utilizando mão de obra proveniente do sistema penitenciário, em um projeto chamado Replantando Vidas, desenvolvido com muita dedicação pelo servidor símbolo da Cedae, que é Alcione Duarte.
As árvores produzidas nesses viveiros são majoritariamente da Mata Atlântica e são belíssimas. O maior viveiro no estado do Rio de Janeiro, que implantamos, está localizado dentro do Presídio Agrícola de Magé, com capacidade de produção anual de um milhão de mudas.
Nesse processo de replantio, conseguimos até mesmo quebrar o recorde mundial durante o evento chamado “Dia C”, quando plantamos quase 60 mil árvores em um único dia. Me recordo que esse desafio foi lançado pelo então ministro do Meio Ambiente à época, Carlos Minc.
Uma das árvores que mais gosto — e que fiz questão de ter grande produção nos viveiros — é o ipê. Plantamos centenas de milhares deles, espalhados por todo o estado, especialmente às margens dos rios, para recompor as matas ciliares, que contribuem para a formação de água e preservam as margens dos rios.
São produzidas até hoje, nesses viveiros, mudas de ipês brancos, amarelos, rosas, verdes e, especialmente, ipês roxos. Esses ipês, que começam a florescer ao fim de junho e continuam até outubro, já podem ser observados florindo pelas ruas do Rio e em nossas matas.
Um dos ipês que gosto de fotografar fica ali na praça conhecida como Buraco do Lume, em frente à nova sede da Alerj (antigo Banerjão). Para aqueles que gostam de caçar ipês e tirar e postar fotos, sugiro irem à Cidade Universitária da UFRJ, na Ilha do Fundão, onde existem dezenas de ipês — em especial os roxos e rosas. No ano passado, fui com o amigo professor Fabiano Rapozo, quando fizemos belos registros.
O ipê está incluído no gênero Handroanthus, atingindo uma altura entre 6 e 14 metros na fase adulta, e seu tronco normalmente varia de 30 a 50 centímetros.
Sugiro às pessoas que caminham pela cidade que comecem a apreciar a beleza dos ipês destacados em nossa paisagem. É uma “caça sustentável” por belas imagens que fazem bem aos olhos — e, principalmente, à alma.