
Uma das redes de varejo mais emblemáticas do Rio de Janeiro, a Leader Magazine há anos amarga dificuldades financeiras, que resultaram no fechamento de várias unidades e, consequente, demissão de centenas de funcionários. Nas redes sociais, internautas lamentam o fechamento da loja do Largo da Cancela, em São Cristóvão, Zona Norte carioca, como repercutiu o @saocristovaorj. Muitos deles compartilham ainda a esperança de que a loja popular volte a animar o comércio do bairro que decai ano após ano.
No coração comercial do Centro do Rio, a famosa unidade da Rua Uruguaiana também passou por apuros. Há duas semanas, o movimentado estabelecimento ficou uma semana inteira fechado. Segundo fontes do DIÁRIO DO RIO, a concessionária Light havia cortado a luz da unidade, que, felizmente, voltou a funcionar normalmente, para a alegria da população.
Fundada na cidade de Miracema, no Noroeste fluminense, em 1951, a Leader Magazine começou como uma pequena loja de roupas, que ao longo das décadas, tornou-se uma marca reconhecida nacionalmente. À frente do negócio estava a família Gouveia que vendia roupas, calçados, acessórios, eletrodomésticos, entre outros produtos.
Após um longo período de expansão, a marca foi vendida ao grupo BTG Pactual, que ampliou ainda mais a presença da Leader no mercado nacional, com a aquisição da Seller, da família Furlan, de São Paulo. A fusão, no entanto, foi considerada mal calculada e acabou gerando problemas de solvência à empresa. Em 2016, o BTG vendeu a Leader por R$ 1, com o seu comando passando às mãos de Fábio Carvalho, então controlador da Editora Abril.
Em 2020, a Leader, que contava com 90 lojas espalhadas por 9 estados do Brasil, foi vendida para André Peixoto, que entrou com um pedido de recuperação judicial, para tentar equacionar mais de R$ 1,2 bilhão em dívidas. Dois anos depois, a Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) determinou um acordo para amortização de R$ 810 milhões da dívida ativa da empresa, ao longo de 180 meses.
Segundo apurou o DIÁRIO, a Leader não nunca pagou os débitos anteriores à recuperação judicial e alavancou ainda mais as suas dívidas em aluguéis, IPTU e outros custos de ocupação de diversas de suas lojas; inclusive no Centro do Rio. Assim, em 2023 a empresa foi vendida de novo, e depois revendida, em 2024, ao grupo proprietário do Mauá Bank, tendo voltado a acumular dívidas, o que não impediu a rede de inaugurar nova loja, no bairro de Bonsucesso, na Zona Norte.
Em maio deste ano, a Justiça fluminense suspendeu a falência da empresa, através de uma ação do desembargador Cesar Cury, da 20ª Câmara de Direito Privado, sob o argumento de que o cumprimento imediato da sentença de falência comprometeria de forma “irreversível” a função social da empresa, afetando trabalhadores, fornecedores e credores — públicos e privados.
A decisão contrariou a anterior, do juiz Leonardo de Castro Gomes, que determinou a quebra do Grupo Leader com base no artigo 73 da Lei de Recuperação e Falências, que prevê como efeitos: o bloqueio de contas, lacre de bens, suspensão de ações e execuções, nomeação de um administrador judicial para arrecadação de ativos e pagamento dos credores, além da concessão de 60 dias ao grupo para manter suas atividades antes da liquidação.
A decisão do desembargados César Cury, segundo uma nota emitida pela Leader Magazine, permitiu à empresa dar prosseguimento ao seu processo de reestruturação e soerguimento da marca: “A medida representa um passo decisivo na continuidade do processo de recuperação judicial da empresa, iniciado em 2020, e reafirma o compromisso da atual administração com a reestruturação financeira e a manutenção de suas operações.”
Na ocasião, a sentença foi comunicada com urgência ao juízo da 5ª Vara Empresarial da Capital, responsável pelo processo original; cabendo à Câmara uma análise colegiada.