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Seguindo tendência internacional, Itaú demite 1000 funcionários em “home office”

Foto: Reprodução

Acompanhando a tendência de outras empresas nacionais e internacionais, o banco Itaú deu início à desmobilização da sua força de trabalho que ainda atua em regime de home office. Somente nesta segunda-feira (6), cerca de mil funcionários que trabalhavam nas modalidades híbrido ou remoto, foram demitidos pela instituição, segundo o Sindicato dos Bancários. Os desligamentos foram resultado de avalição do Itaú de que o desempenho dos colaboradores estava abaixo do esperado: em casa, não davam produtividade.

Ao portal G1, a instituição financeira informou que a “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada” constituiu a base da sua decisão. Segundo o Itaú, a principal disfunção na sua avaliação foi a incompatibilidade entre as atividades registradas nas plataformas e o ponto fornecido pelos trabalhadores, que não correspondiam à realidade, conforme reportou o banco ao G1: “Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco”. Especialistas consultados pelo DIÁRIO afirmam que já se verifica que muitos colaboradores em casa não cumprem as horas do contrato de trabalho.

O Itaú demonstrou ao portal que a medida integra o seu “processo de gestão responsável” com o objetivo de “preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região diz que os trabalhadores desligados não teriam recebido “advertência prévia”, ou e que não teriam passado por mesa de negociação, “num claro desrespeito aos bancários e à relação com o movimento sindical”.

“O banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inatividade nas máquinas corporativas, em alguns casos, períodos de quatro horas ou mais de suposta ociosidade”, afirmou ao G1 por meio de nota, Maikon Azzi, diretor do sindicato e funcionário do Itaú, em nota.

A presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, disse o portal que, “com o lucro nas alturas, o banco não tem nenhuma justificativa para demitir”: “É inaceitável que uma instituição que registra lucros bilionários promova demissões em massa sob a justificativa de ‘produtividade’”, disse a representante da categoria ao G1, ignorando a tendência internacional de eliminação gradual de um sistema que não traz a produtividade esperada, e que ainda dá margens a manipulação para descumprimento dos horários de trabalhoz

Leia abaixo a nota do banco:“O Itaú Unibanco realizou hoje desligamentos decorrentes de uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada. Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade“.

Entre as instituições que fizeram o “desmame” ou aboliram completamente o trabalho remoto estão a Google, empresas do conglomerado de Elon Musk, a Amazon, a Goldman Sachs, a Dell, a Disney, a Apple, a Alphabet (do Google), a Meta (do Facebook), a Salesforce, a BlackRock, a UOL, a JP Morgan, a Petrobras, entre tantas outras em todo o mundo.

Os especialistas em RH citam comumente que esse retorno ao trabalho à moda antiga tem gerado a resistência em muitos trabalhadores e seus sindicatos.  “Ninguém quer controle, ninguém quer abrir mão do que considera um benefício. Mas quem paga o salário quer produtividade e entrega pessoal. É óbvio que ninguém quer devolver prêmio de loteria”, explicou no início do ano passado – pedindo anonimato – a diretora de RH de uma grande empresa do setor de Óleo e Gás no Rio.

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