terça-feira, 12 de maio de 2026 - 1:48

Vila Isabel escolhe samba do Carnaval 2026; veja a letra

Foto: Dhavid Normando/Rio Carnaval

A Unidos de Vila Isabel já sabe qual será a trilha que vai embalar a Sapucaí em 2026. A parceria de André Diniz e Evandro Bocão saiu vitoriosa na disputa interna e assinou mais um capítulo da história da azul e branca do bairro de Noel. O anúncio foi feito na madrugada deste sábado (13/09), em clima de festa na quadra, com direito a coro da comunidade e a presença da rainha de bateria Sabrina Sato.

Favoritos desde o início, Diniz e Bocão nem precisaram esperar o desfile dos rivais. As obras de Moacyr Luz e PC Feital estavam na disputa, mas a direção da escola optou por declarar a campeã de imediato. A quadra explodiu. Para Diniz, a conquista tem sabor especial: é a sua 20ª vitória defendendo as cores da Vila Isabel.

O samba vencedor vai embalar o enredo “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A proposta é reverenciar Heitor dos Prazeres, sambista, pintor e figura essencial da cultura popular brasileira. O anúncio do enredo, meses atrás, aconteceu justamente na Pedra do Sal, reduto histórico da negritude carioca e espaço onde Heitor foi eternizado em mural.

A Vila Isabel será a segunda escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, em 17 de fevereiro de 2026. A expectativa é que a Avenida veja um cortejo que mistura música, religiosidade afro-brasileira e as cores do pincel de Heitor.

O samba-enredo de 2026

Sonhei macumbembê, sonho samborembá
Macumba é samba, e o samba é macumba
Pode até fazer quizumba
Só não pode é separar

Sonho samborembá, macumbembê
Vem da mãe terra, firmou ponto na Bahia
E na África pequena germinou pra florescer
Éh quilombo, é a Pedra do Sal
Arraigou em terreiro e quintal
No chão batido assentou o fundamento
Foi o lino de madrinha
De padrinho, espelhamento
Flutuou na capoeira ao perfume de Ciata
Negro príncipe de ouro, o anjo de asas de prata

Um ogan alabê, macumbeiro
À fumaça do cachimbo, preto velho soprou
Encanto da gira, da roda de bamba
Poesia da curimba, batuqueiro e cantador

Foi do lundu e do cateterê
Alinhou de linho santo, cavaquinho na mão
Apaixonado pierrot afro-rei
A flecha certeira de Oxóssi na canção
Reluz nas escolas, em Noel e Cartola
Ganhou o mundo, com o mundo de Paulo Brasão
De todos os tons, a Vila, negra é!
De todos os sons, a negra Vila é!
De china e ferreira
Mocambo macacos e o pau da bandeira
Da nossa favela, branca a azul do céu
No branco da tela o azul do pincel
Vem ser aquarela, pintar a Unidos de Vila Isabel

Oraieiê Oxum, kabecilê Xangô
Meus sonhos e tambores, tintas e Prazeres
Pra você, Heitor

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