
Mais de 800 investidores seguem de mãos atadas, sem ver retorno, à espera de uma solução para o Torre Boa Vista, arranha-céu de 22 andares localizado na Av. Presidente Vargas, no Centro do Rio. O edifício, único ativo do fundo imobiliário Presidente Vargas (PRSV11), da gestora Hedge, completa nos próximos dias três anos completamente vazio.
A derrocada começou em outubro de 2022, quando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que ocupava 13 andares do prédio, entregou as chaves e mudou suas operações para o Palácio da Fazenda. A justificativa oficial foi economia de custos, com a própria agência estimando na época uma redução de R$ 500 mil por mês em despesas. O problema é que, desde então, a saída da única inquilina deixou o edifício às moscas, provocando efeito cascata que recai sobre os cotistas.
O fundo, que já havia vendido o Torre Vargas em 2020 por R$ 42 milhões, ficou reduzido ao Boa Vista. Segundo informações do jornalista Rennan Setti, o patrimônio líquido está avaliado em R$ 32,3 milhões, mas, na prática, as cotas valem apenas R$ 7 milhões na Bolsa. Sem receitas de aluguel, os investidores não recebem dividendos há tempos. Pior: o veículo precisou lançar uma nova emissão de cotas para levantar R$ 2,8 milhões e cobrir custos básicos de manutenção.
Inaugurado em 1978, o Torre Boa Vista já foi símbolo de modernidade. Hoje, porém, disputa espaço com vizinhos mais bem localizados, que passaram por retrofit, ganharam infraestrutura renovada e surfam na onda da moradia compacta — destino que o prédio precisa adotar para não seguir o caminho do abandono. Essa tem sido a principal saída encontrada para reverter a ociosidade de edifícios corporativos no Centro, sobretudo em tempos de equipes enxutas e modelos de trabalho híbridos, considerados os grandes vilões do mercado de lajes comerciais.
Exemplares nas imediações já provaram a força desse movimento. O antigo Mesbla esgotou todas as unidades em tempo recorde, impulsionado pela localização premium, enquanto o Barrosão (antiga sede da Caixa Econômica) foi anunciado como o maior projeto residencial dentro do programa Reviver Centro. Investidores já miram no lançamento, que deve repetir o sucesso.
Os dois edifícios vizinhos ao ex-prédio da – números 824 e 844 da Presidente Vargas – foram vendidos à rede de hotéis Atlântico, no início do ano, em operação conduzida pela Sérgio Castro Imóveis. Com 20.000m2, e tendo sido retrofitado na primeira década do século 21, foi vendido a cerca de 17 milhões de reais, embora estivesse em perfeito estado.