quinta-feira, 16 de abril de 2026 - 1:07

O Imperador, o Papagaio e a Cruz da África

O Imperador Gelawdewos, ou “Claudio” em combate. Ilustração do século XVIII./ Fonte: wiki commons

Por Olav Schrader

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Era o ano de 1876 e na cidade de Filadélfia se celebrava a Centennial Exposition. Esta exposição universal que celebrava os cem anos da independência dos Estados Unidos teve como convidado de honra o Imperador Pedro II do Brasil, num gesto de importância diplomática talvez dificilmente imaginável em nossos dias. A visita do representante do Brasil, envolta em pompa e grande solenidade, gerou ampla repercussão. Pedro II era retratado como um monarca austero, culto, democrático nos modos, diferente do estereótipo que havia dos soberanos europeus. Na imprensa internacional, o Brasil também ganhava destaque como um país associado à ciência e à modernidade, uma projeção reforçada pela figura respeitável de um imperador ilustrado. Naquela exposição de Filadélfia, em especial, esta imagem do Brasil foi ainda mais amplificada pela atenção que o imperador atraiu para um jovem praticamente desconhecido, que desde um modesto estande apresentava sua última invenção. O nome do jovem era Graham Bell e a invenção era o telefone. Ao testar o aparelho, a frase em inglês do imperador “My God, it talks!” estampou as manchetes dos jornais e deu fama imediata para a invenção de Graham Bell. Não tardaria para que a imprensa também noticiasse a instalação de uma das primeiras linhas telefônicas do mundo fora dos Estados Unidos, no Palácio da Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro, como parte de todo um leque comunicativo que tendia a projetar uma imagem séria e vanguardista do Brasil.

Algumas décadas depois, no entanto, também dos Estados Unidos surgiu uma outra representação externa do Brasil: o Zé Carioca. Imageticamente, desapareceu toda a austeridade, a gravidade imperial, a aura de intelectualidade e de avanço científico. A imagem do Brasil, de repente, transmutou-se do símbolo do imperador para o símbolo de um papagaio carismático, sambista e malandro. Em meio século, um período historicamente curto entre a queda do Império até a Segunda Guerra Mundial, ocorreu aquela que talvez foi uma das mais radicais mudanças de projeção de um país jamais vistas. Nos meios de comunicação, o Brasil passou de um país austero e respeitado no concerto das nações para se tornar uma representação folclórica de alegria despreocupada. Implícitas na leveza e na cordialidade, no desejo de festa e de prazer do simpaticíssimo papagaio estavam a impulsividade e a imaturidade. O alegre papagaio, sem saber domar seus impulsos e governar a si mesmo, não daria certo sem um parceiro maduro que lhe indicasse o caminho. Nesta paródia irônica de Montaigne e Rousseau, este bom selvagem que desfila com suas plumas coloridas pela avenida responderá com afeto ao forasteiro sério que tome as rédeas de seu destino.

O imaginário está em constante construção. O imperador e o papagaio são apenas dois exemplos entre muitos. A seleção dos estereótipos, dos atributos e das generalizações muda com o tempo. A percepção da realidade e da autoconsciência é em boa medida moldada pelas demandas que se impõem nos canais de cada época. Assim como a imagem do Brasil foi transformada pelos meios de comunicação, também a ideia de “África” e de “Africanidade” parece que foi seletivamente reinterpretada com o tempo. Causa uma certa estranheza, por exemplo, uma aparente exclusão de fé. Pouco se fala que, entre as religiões de matriz africana, uma das mais importantes é justamente a antiga vertente do Cristianismo no continente. Na Bíblia, nos Atos dos Apóstolos (8:26–39), encontra-se o primeiro registro da conversão de um africano, que ocorreu por intermédio do apóstolo Felipe. E este convertido, longe de ser um pobre oprimido, era nada menos que o responsável pelo tesouro da rainha (equivalente ao ministro das finanças) do antigo Reino de Cuxe, no território do atual Sudão.

Séculos antes da Europa abraçar plenamente o Cristianismo, a África já tinha igrejas bem consolidadas. No Egito, a Igreja Copta remonta ao século I, desde as pregações de São Marcos em Alexandria. No antigo Reino de Axum, núcleo daquele que mais tarde se tornaria o Reino da Etiópia e que se estendia também pela Eritreia e por parte do Sudão, o Cristianismo tornou-se oficial no século IV com o Rei Ezana. Segundo a tradição africana, aliás, é na Etiópia que até hoje se guarda a Arca da Aliança, que teria sido trazida por Menelik I, filho do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. O Cristianismo já florescia na África enquanto a Europa só começaria a se converter plenamente mais de um século depois. O batismo do Rei Clóvis da França, no ano de 496, tido como marco simbólico da cristianização medieval, ocorreu cerca de cem anos após a conversão do Rei Ezana da Etiópia! E assim como a Igreja Católica conserva o Latim em sua liturgia, a Igreja Etíope mantém o Ge’ez, a língua do antigo Reino de Axum, em seu culto religioso. No Cristianismo Africano, o uso litúrgico do Ge’ez representa a preservação de um dos idiomas mais antigos do mundo pela tradição. E esta herança africana impressiona ainda mais por sua originalidade ao recorrer também a um alfabeto próprio, criado há cerca de mil e quinhentos anos e que permanece em uso até hoje.

Fragmento de antiga ilustração do martírio de Cristóvão da Gama. Fonte: wiki commons

Chama a atenção, também, que, nos relatos da heroica luta contra a opressão colonizadora, pouco se fale da maior história de sucesso da resistência africana. Seria incômodo lembrar que a única nação do continente que se manteve independente e derrotou potências conquistadoras foi justamente a monarquia cristã da Etiópia? E talvez também seja inconveniente lembrar que, em um momento decisivo, a sobrevivência desse reino se deveu à ajuda de Portugal, que atuou não como colonizador, mas como aliado, derramando parte de seu mais nobre sangue? No século XVI, quando tudo parecia perdido diante do avanço das forças islâmicas do imã Ahmad Ibn al-Ghazi, o imperador Gelawdewos (chamado de “Cláudio” pelos portugueses) fez um apelo urgente às forças portuguesas então em operação no Mar Vermelho, sob o comando de Estêvão da Gama, filho de Vasco da Gama. Na sua companhia seguia o irmão mais novo, Cristóvão, um de seus capitães. Atendendo ao apelo, Estêvão destacou Cristóvão à frente de uma força expedicionária portuguesa para defender a Etiópia. Pouco ou nada se fala do trágico destino de Cristóvão da Gama. Cristóvão foi ferido em combate e capturado pelas tropas de Ahmad, que o submeteram a longas torturas, quebraram-lhe os ossos e, por fim, o decapitaram em um macabro espetáculo diante dos oficiais islâmicos do Sultanato de Adal.

O sacrifício do nobre português, porém, inspirou a mais encarniçada resistência. Quando chegou a hora da batalha derradeira, o Imperador “Cláudio”, num ato de grande bravura, chefiou pessoalmente as tropas etíopes num assalto frontal, pondo-se à frente de seus guerreiros no ataque. Enquanto isso, os portugueses que restavam se posicionaram estrategicamente com seus arcabuzes e abriram fogo cerrado sobre as forças de Ahmad, causando baixas e confusão nas fileiras inimigas. O imperador, vendo a oportunidade, se lançou furiosamente e atravessou o exército invasor até quebrá-lo completamente. Aquela vitória decisiva na localidade de Wayna Daga em 1543 salvou a independência da Etiópia que estava por um fio. Emocionado, o imperador celebrou o feito com um beijo público simbólico no capitão português sobrevivente, selando uma aliança de sangue que a história raramente recorda.

Mas a maior façanha da vitoriosa resistência africana ainda estava por vir. Ciente da avassaladora onda de conquistas europeias que varria toda a África nas últimas décadas do século XIX, o Imperador Menelik II transformou a Etiópia na única potência militar independente do continente. Houve um imenso esforço para realizar uma convocação nacional de serviço militar e organizar um exército profissional moderno que reuniu mais de cem mil homens, um contingente comparável à maioria dos exércitos europeus da época. Com uma persistência e disciplina notáveis, os etíopes adquiriram gradualmente, ao longo de vinte anos, os rifles modernos de repetição, canhões e metralhadoras que seriam vitais para a sobrevivência do reino. O armamento era comprado diretamente da França e da Rússia, mas também por via indireta e através de subterfúgios diplomáticos para furar os embargos oficiais da Alemanha e da Grã-Bretanha. Menelik II, assim como seu antecessor Gelawdewos (ou “Cláudio”, como diziam os portugueses), comandou pessoalmente toda essa longa operação.

Além de inovar com a criação da única potência militar independente da África, houve também uma notável originalidade ao adaptar os modernos equipamentos e táticas militares às circunstâncias locais, sobretudo ao terreno montanhoso do reino. Menelik II atraía o inimigo principalmente para terrenos desfavoráveis, onde usava formações em massa para esmagar o adversário com números superiores. Ao mesmo tempo, atacava de maneira cirúrgica e implacável as linhas de suprimento e a logística dos europeus, uma estratégia que frequentemente os levava ao desespero da fome, da falta de munição e do exaurimento geral. O desfecho de tantos anos de preparação e resistência ocorreu em 1º de março de 1896, na Batalha de Adwa, quando as forças do reino fulminaram cerca de vinte mil soldados italianos, impondo uma derrota histórica que preservou, mais uma vez, a soberania da Etiópia.

Logo após a vitória de Adwa, o Imperador Menelik II fez questão de atribuir o triunfo à providência divina e se dirigiu a uma igreja próxima ao campo de batalha, acompanhado de seus generais e soldados. O imperador entrou descalço no templo, em sinal de humildade, e participou de uma celebração de ação de graças, com hinos entoados em Ge’ez, a antiga língua litúrgica. Mais tarde, já na capital Addis Abeba, Menelik II e a Imperatriz Taitu conduziram uma grande e solene procissão até a Igreja de São Jorge, que incluiu um cortejo com réplicas da Arca da Aliança, ao som de cânticos, entre nuvens de incenso e as bênçãos dos sacerdotes. Assim, o imperador determinou que aquela que tinha sido a maior vitória jamais alcançada contra o colonialismo europeu fosse lembrada como obra de Deus. Reiterou ainda que Adwa não fora apenas um extraordinário feito militar, mas também uma confirmação espiritual da missão histórica da Etiópia como reino cristão independente.

Sacerdotes etíopes dançam na procissão em direção à Igreja de Santa Maria em Adis Abbeba. Fonte: wiki commons/ Jean Rebiffé

E foi assim, atravessando toda a vastidão cultural do continente, que o Imperador Menelik II foi alçado à fama, por muitos compartilhada, de ser o maior símbolo da resistência africana. Addis Abeba, capital da Etiópia, foi apropriadamente escolhida para ser a sede da Organização da União Africana. As cores de sua bandeira — o verde representando a esperança, a fertilidade e a vida, o amarelo representando a fé cristã e o vermelho representando o sangue derramado pela liberdade — acabaram sendo honradas como símbolo pan-africano. Hoje, nada menos que vinte países libertos do colonialismo naquele continente adotaram em suas bandeiras essas cores da Etiópia, como referência de orgulho e de resistência para toda a África.

É hora de lembrar deste monumento espiritual de matriz africana, eixo central de orgulho e resistência do continente. É hora também de perguntar: para quem trabalham os ilusionistas? Quem escreveu o roteiro em que uma mão faz desaparecer um elefante africano enquanto a outra exibe um papagaio fútil?

ENGLISH VERSION

The Emperor, the Parrot, and the Cross of Africa.

While Brazil was turned into a caricature, Africa’s greatest pride was veiled. A masquerade set the narrative, but history presses through.

It was the year 1876, and the city of Philadelphia hosted the Centennial Exposition. This world’s fair, celebrating the hundredth anniversary of the United States’ independence, had as guest of honor Emperor Pedro II of Brazil, in a gesture of diplomatic significance hardly imaginable today. The visit of Brazil’s sovereign, surrounded by pomp and ceremony, drew wide attention. Pedro II was portrayed as an austere and cultured monarch, democratic in his manners, unlike the prevailing stereotype of European rulers of the time. In the international press, Brazil also gained prominence as a country associated with science and modernity, an image underscored by the respectable figure of an enlightened emperor. At that Philadelphia exposition, this image of Brazil was further magnified by the attention the emperor directed toward a practically unknown young man who, from a modest booth, was presenting his latest invention. The young man’s name was Graham Bell, and the invention was the telephone. When the emperor tested the device, his exclamation in English—“My God, it talks!”—made newspaper headlines and instantly brought fame to Bell’s invention. It did not take long before the press also reported the advent of one of the world’s first telephone lines outside the United States, at the Quinta da Boa Vista Palace in Rio de Janeiro, as part of a broad communicative framework that tended to project a serious and avant-garde image of Brazil.

A few decades later, however, another outward portrayal of Brazil emerged from the United States, this time from the Walt Disney Studios: the cartoon character Zé Carioca. In terms of imagery, all austerity, imperial gravity, and the aura of intellectual and scientific advancement disappeared. Brazil’s image suddenly shifted from the symbol of the emperor to that of a charismatic parrot best known as a samba singer and a lovable rascal. Within half a century, a historically brief span from the fall of the Brazilian Empire to the Second World War, perhaps one of the most radical shifts ever seen in the way a country was projected took place. In the media, Brazil went from an austere and respected country in the concert of nations to a folkloric representation of carefree joy. Implicit in the parrot’s lightness and warmth, in his desire for festivity and pleasure, were impulsiveness and immaturity. The cheerful parrot, unable to master his impulses and govern himself, would not fare well without a mature partner to show him the way. In this ironic parody of Montaigne and Rousseau, this “noble savage,” parading with his colorful feathers down the avenue, will respond with affection to a more serious and grown-up outsider better able to take the reins of his fate.

Our collective imagination is constantly being reshaped. The emperor and the parrot are only two examples among many. The selection of stereotypes, attributes, and generalizations changes over time. Perceptions of reality, and even of ourselves, are largely shaped by the demands imposed by each era’s conduits of ideas and communication. Just as Brazil’s image was transformed by the media, so too the idea of “Africa” and of “Africanness” appears to have been selectively reinterpreted over time. It is striking, for instance, how contemporary accounts foreground animist and syncretic traditions, voodoo among them, as the African spiritual source, while almost completely ignoring the continent’s ancient Christian lineage. In the Bible, in the Acts of the Apostles (8:26–39), we find the first account of the conversion of an African, which took place through the apostle Philip. And this convert, far from being a poor oppressed figure, was the official in charge of the queen’s treasury (the equivalent of a finance minister) in the ancient Kingdom of Kush, in the territory of present-day Sudan.

Centuries before Europe fully embraced Christianity, Africa already had churches that were well established. In Egypt, the Coptic Church traces its origins to the first century, to the preaching of Saint Mark in Alexandria. In the ancient Kingdom of Aksum, the heartland of what would later become the Kingdom of Ethiopia, which extended into Eritrea and parts of Sudan, Christianity became the state religion in the fourth century under King Ezana. According to African tradition, the Ark of the Covenant is kept in Ethiopia to this day and is believed to have been brought by Menelik I, the son of King Solomon and the Queen of Sheba. Christianity was already flourishing in Africa while Europe would not fully convert until more than a century later. The baptism of King Clovis of the Franks in 496, often taken as a symbolic landmark of medieval Christianization, occurred about a hundred years after the conversion of King Ezana of Ethiopia! Just as the Catholic Church preserves Latin in its liturgy, the Ethiopian Church uses Ge’ez, the ancient language of the Kingdom of Aksum, in its sacred rites. In fact, the liturgical use of Ge’ez in African Christianity represents the preservation of one of the world’s oldest languages through tradition and spirituality. This African heritage is all the more striking for its originality, as it also uses its own alphabet, first devised about fifteen centuries ago and still in use today.

It is also striking that, in accounts of the heroic struggle against colonial oppression, little is said about the greatest success story of African resistance. Is it uncomfortable to recall that the only nation on the continent to remain independent and to defeat conquering powers was precisely the Christian monarchy of Ethiopia? And is it perhaps inconvenient to remember that, at a decisive moment, the survival of that kingdom was due to the help of Portugal, which acted not as a colonizer but as an ally, shedding some of its noblest blood? In the sixteenth century, when all seemed lost before the advance of the Islamic forces of Imam Ahmad ibn Ibrahim al-Ghazi, Emperor Gelawdewos (called “Cláudio” by the Portuguese) issued an urgent appeal to the Portuguese forces then operating in the Red Sea, under the command of Estêvão da Gama, son of Vasco da Gama. In his company was his younger brother, Cristóvão, one of his captains. In response, Estêvão sent Cristóvão to lead a Portuguese expeditionary force to defend Ethiopia. Little is said of Cristóvão da Gama’s tragic fate. Ahmad’s troops wounded and captured Cristóvão in battle, subjected the expedition leader to prolonged torture, broke his bones, and finally beheaded him in a macabre spectacle before the officers of the Sultanate of Adal.

The Portuguese nobleman’s sacrifice, however, inspired the fiercest resistance. When the time came for the final battle, Emperor Gelawdewos, in an act of great courage, personally led the Ethiopian troops in a frontal assault, placing himself at the head of his warriors. Meanwhile, the remaining Portuguese took up strategic positions with their muskets and opened heavy fire on Ahmad’s forces, causing casualties and confusion in the enemy ranks. Seizing the opportunity as the enemy fell into disarray, the emperor launched a furious assault that broke through the invading army and crushed it. That decisive victory at Wayna Daga in 1543 saved Ethiopia’s independence, which hung by a thread. Moved, the emperor celebrated the victory by publicly bestowing a symbolic kiss upon the surviving Portuguese captain, thereby proclaiming an alliance sealed in blood that history rarely remembers.

But the greatest feat of Africa’s victorious resistance was still to come. Aware of the sweeping wave of European conquests that was engulfing Africa in the final decades of the nineteenth century, Emperor Menelik II turned Ethiopia into the continent’s only independent military power. There was a vast effort to carry out a nationwide call to service and to organize a modern professional army that mustered more than one hundred thousand men, a contingent comparable to most European armies of the time. With remarkable persistence and discipline, the Ethiopians gradually acquired, over twenty years, modern rifles, artillery and machine guns that would be vital to the kingdom’s survival. Ethiopia acquired arms directly from France and Russia and, through indirect routes and diplomatic maneuvering, managed to bypass the official embargoes imposed by Germany and Great Britain. Menelik II, like his predecessor Emperor Gelawdewos, personally directed this long undertaking.

Beyond innovating by creating Africa’s only independent military power, there was also striking originality in adapting modern equipment and tactics to local conditions, especially the kingdom’s mountainous terrain. Menelik II often lured enemy forces onto unfavorable ground, where he employed massed formations to crush the invaders with overwhelming numbers. At the same time, he disrupted European supply lines and logistics with precise, relentless attacks, a strategy that often drove them into hunger, ammunition shortages, and general exhaustion. Years of preparation and resistance culminated on March 1, 1896, at the Battle of Adwa, when the kingdom’s forces routed about twenty thousand Italian soldiers, imposing a historic defeat that secured Ethiopia’s independence.

Soon after the victory at Adwa, Emperor Menelik II made a point of crediting the triumph to divine providence and went to a church near the battlefield, accompanied by his generals and soldiers. The emperor entered the sanctuary barefoot, as a sign of humility, and took part in a thanksgiving service with hymns chanted in Ge’ez, the ancient liturgical language. Later, back in the capital, Addis Ababa, Menelik II and Empress Taytu led a great and solemn procession to the Church of Saint George, with bearers carrying replicas of the Ark of the Covenant, to the sound of chants, amid clouds of incense and the blessings of the clergy. Thus the emperor decreed that what had been the greatest victory ever won against European colonialism should be remembered as the work of God. He further affirmed that Adwa was not only an extraordinary military achievement but also a spiritual confirmation of Ethiopia’s historical mission as an independent Christian kingdom.

In this way, across the continent’s vast cultural landscape, Emperor Menelik II came to be widely regarded as the foremost symbol of African resistance. Addis Ababa, the capital of Ethiopia, was fittingly chosen as the seat of the Organization of African Unity. The colors of its flag — green for hope, fertility, and life, yellow for the Christian faith, and red for the blood shed for freedom — came to be honored as a pan-African emblem. Today, no fewer than twenty countries that emerged from colonial rule on the continent have adopted these Ethiopian colors in their flags as a symbol of pride and resistance across Africa.

It is time to remember this monument to African spiritual heritage, a cornerstone of the continent’s pride and resistance. It is also time to ask: Who are the illusionists working for? Who wrote the script in which one hand makes an African elephant vanish while the other showcases a frivolous parrot?

Olav Schrader é especialista em patrimônio cultural, escritor, palestrante, consultor e gestor de projetos. Tem Bachelor´s Degree e M.A. – Master of Arts pela Universidade de Amsterdam, Reino dos Países Baixos e Diploma de Pós-Graduação pela Universidade de Deusto, Espanha, na área de Relações Internacionais, com ênfase em História e Cultura. Desde 2006, participa de projetos ligados ao Patrimônio Cultural Brasileiro. Foi superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro, de 2020 a 2023.

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