
O Rio de Janeiro vive um processo acelerado de expansão da rede privada de saúde. Nos últimos dois anos, dezenas de pedidos de licença para hospitais e unidades médicas foram protocolados nos órgãos competentes, parte deles já autorizados. Paralelamente, grandes grupos do setor anunciam investimentos bilionários e prometem inaugurações na capital, na Baixada Fluminense e no interior do estado. Os dados têm como base informações publicadas pelo jornal O Globo.
Entre os projetos mais avançados está o novo hospital de alta complexidade da Hapvida, na Cidade Nova. A unidade ocupará o antigo prédio da Universidade Corporativa da Petrobras, que soma mais de 51 mil m² distribuídos em oito pavimentos, térreo e três subsolos. A previsão é de instalar 250 leitos, hotelaria premium e setores dedicados a atendimento avançado.
A operadora já possui outra unidade na região e planeja investir cerca de R$ 380 milhões apenas no Rio, dentro de um plano nacional de R$ 2 bilhões para os próximos dois anos. Além do hospital, estão previstas três unidades de pronto atendimento e duas clínicas.
A Hapvida, maior operadora de saúde da América Latina, registrou receita líquida de R$ 7,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025. A escolha pelo Rio acompanha o tamanho do mercado: segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mais de 5,6 milhões de moradores do estado possuem plano de saúde.
No município do Rio, a Vigilância Sanitária autorizou 11 novas unidades médicas desde 2023, quatro delas apenas em 2025. Já a Vigilância Sanitária estadual, responsável por 90 municípios (exceto a capital e Macaé), recebeu 21 solicitações de licença em 2024 e liberou apenas uma. Em 2025, os pedidos subiram para 28, mas novamente apenas um foi deferido.
O Ministério da Saúde também registrou avanço no número de solicitações para inclusão de hospitais privados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Em 2024, foram 31 requerimentos na capital; em 2025, esse total chegou a 100. No entanto, o volume não corresponde necessariamente à criação de 100 novos hospitais, já que uma mesma unidade pode solicitar diversas inclusões ao ampliar serviços ou atualizar seu cadastro.
A maioria dos pedidos envolve projetos na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. Entre eles está o Barra D’Or II, inaugurado no início deste ano com 250 leitos, o maior entre os empreendimentos formalizados. Segundo Roberto Albanese, vice-presidente de Operações da Rede D’Or, a empresa mantém um plano constante de expansão com foco no Rio.
Novos hospitais e ampliações
A Rede D’Or inaugurou um hospital em Macaé, no Norte Fluminense, com mais de 20 mil m² e 140 leitos, com possibilidade de ampliação para 200. Ao mesmo tempo, promove ampliações em Duque de Caxias, na Baixada, e nos bairros de Campo Grande e Glória, na capital. Os projetos somam mais de 700 novos leitos — 400 já entregues — e representam mais de R$ 1 bilhão em investimentos e 100 mil m² adicionais de área construída.
Enquanto grandes redes apostam em megaestruturas, o fechamento de hospitais menores abriu espaço para outra estratégia. A Rede Casa, fundada no Rio há 16 anos, especializou-se em assumir unidades em dificuldade, reformando e padronizando estruturas e processos. Hoje, administra dez hospitais, sete laboratórios e oito centros de diagnóstico. Uma das transformações recentes foi a requalificação do hospital da Rua do Bispo, no Rio Comprido, que agora opera como unidade premium voltada à oncologia.
Cidade Nova e outras inaugurações
O futuro hospital da Hapvida na Cidade Nova é um projeto de reocupação — “brownfield” — de uma estrutura já existente. Com licenças expedidas, as obras de adaptação já começaram, e a inauguração está prevista para o segundo semestre de 2026. Segundo o vice-presidente de Infraestrutura, André Melo, a localização facilita o acesso e transmite maior segurança por estar próxima à prefeitura. A expectativa é atender cerca de 2 mil pacientes por dia, incluindo clientes de outras operadoras além da Hapvida.
Além dele, a empresa vai inaugurar três novos prontos atendimentos: na Barra da Tijuca (no antigo Parque Terra Encantada), na Penha e em Botafogo, todos com serviços de diagnóstico e ambulatórios. Em Botafogo, haverá também um Centro Clínico Avançado. Na Baixada Fluminense, será aberta uma nova clínica em Nova Iguaçu.
Outro grande empreendimento no bairro será o hospital da Prevent Senior, que vai ocupar dois prédios antes utilizados pela IBM, na Avenida Pasteur. A autorização veio após a aprovação de um projeto de lei que liberou novas unidades de internação em Botafogo e Humaitá. Ainda não há previsão para o início das obras. Durante a votação, moradores manifestaram preocupação com impactos no trânsito, mas a CET-Rio afirmou que, por não ser uma unidade com emergência, o impacto tende a ser menor.
Nos últimos meses, o bairro também recebeu um hospital pediátrico da Amil, instalado no complexo do Pró-Cardíaco, e uma segunda unidade da MedSênior, que já atuava na Barra e em Niterói.
Informações baseadas em dados e apuração publicados originalmente pelo jornal O Globo.