quarta-feira, 15 de abril de 2026 - 4:52

A corrida dos vices para ocupar cargo na eleição de 2026

Claudio Castro Dr. Luizinho, Rogerio Lisboa e Washington Reis

A definição da vice na chapa do PSD, encabeçada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, desencadeou uma intensa movimentação nos bastidores da política fluminense. De Norte à Baixada Fluminense do estado, prefeitos e ex-prefeitos com forte capital eleitoral passaram a disputar espaço nas principais composições para a eleição ao governo do estado em 2026.

O movimento tem como epicentro o PL do governador Cláudio Castro, hoje o partido mais assediado por lideranças que buscam uma vaga de vice em uma chapa com chances reais de vitória, depois que o PSD do prefeito Eduardo Paes, favorito ao pleito, escolheu a advogada Jane Reis (MDB) como sua parceira de chapa.

PL vira alvo preferencial

O presidente estadual do PP, Dr. Luizinho, indicou o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, para compor como vice a chapa do PL ao Palácio Guanabara. A decisão deve ser fechada em reunião em Brasília entre Castro, o senador Flávio Bolsonaro e o presidente estadual da legenda, Altineu Côrtes.

O PL já definiu que precisa da Federação União Progressista na aliança. Juntos, os partidos somam cerca de 40% do tempo de televisão e dos recursos do Fundo Eleitoral, ativo estratégico numa disputa que tende à polarização nacional.

Lisboa surge como nome competitivo por seu desempenho à frente de Nova Iguaçu, quarto maior município do estado, com cerca de 850 mil habitantes. Com forte aprovação local após dois mandatos, ele manteve prestígio num dos maiores colégios eleitorais da Baixada Fluminense.

Wladimir também entra no jogo

Outro nome que circula nas negociações é o do prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho (MDB). Aos 41 anos e em seu segundo mandato, ele governa o quinto maior município do estado, com aproximadamente 520 mil habitantes e onde possui avaliação próxima de 80%, após ter sido reeleito com 70% dos votos.

Aliados relatam que Wladimir foi sondado há meses por Flávio Bolsonaro para disputar o governo, antes de o senador ser lançado por Jair Bolsonaro como presidenciável do PL. A interlocutores, o grupo do prefeito afirma que ele mantém diálogo aberto, mas também avalia disputar uma vaga na Câmara dos Deputados caso não se viabilize como vice.

Inicialmente, tanto Wladimir quanto Rogério Lisboa tinham como prioridade a vice na chapa de Eduardo Paes, favorito nas pesquisas. Foram surpreendidos, no entanto, com a escolha da advogada Jane Reis (MDB), irmã do ex-deputado e ex-prefeito de Duque de Caxias,  Washington Reis.

O peso de Duque de Caxias

A indicação de Jane Reis reforça o protagonismo de Duque de Caxias, segundo maior colégio eleitoral do estado, com cerca de 900 mil habitantes. A família Reis exerce influência política no município há mais de duas décadas. O atual prefeito, Netinho Reis, sobrinho de Washington, tem aprovação superior a 70%.

O tamanho do eleitorado e a musculatura política local pesaram na balança. Em comparação, embora bem avaliado, o prefeito de Magé, Renato Cozzolino (DC), governa um município com cerca de 250 mil habitantes, menos de um terço da população de Caxias.

DC reage e ameaça terceira via

Preterido nas negociações com Paes, o Democracia Cristã (DC) passou a considerar uma alternativa própria. A legenda, comandada politicamente pela família Cozzolino em Magé há mais de 40 anos, avalia apoiar uma eventual candidatura do ex-governador Anthony Garotinho ao Palácio Guanabara.

No partido, há quem enxergue Garotinho como uma possível “terceira via” em um cenário que tende à polarização entre lulistas e bolsonaristas. O cálculo político inclui o desejo de ampliar a presença institucional da legenda, que hoje não tem representação na Assembleia Legislativa e nem na Câmara dos Deputados e controla apenas a prefeitura de Magé, com 250 mil habitantes, entre os 92 municípios fluminenses.

São Gonçalo entra no tabuleiro

Enquanto a corrida pela vice se intensifica, o PL também trabalha na cabeça de chapa. O nome mais provável é o do atual secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson.

Com cerca de 1 milhão de habitantes, São Gonçalo é o segundo maior colégio eleitoral do estado. Capitão Nelson mantém aprovação acima de 80%, segundo aliados, o que amplia o peso político do grupo na montagem da chapa.

Vice vira ativo estratégico

A sucessão estadual de 2026 mostra que a vice deixou de ser mera formalidade para se tornar peça-chave no xadrez eleitoral. Mais do que equilíbrio partidário, as escolhas levam em conta densidade demográfica, aprovação local e capacidade de transferência de votos.

Num estado marcado por disputas acirradas e alianças voláteis, prefeitos bem avaliados em redutos populosos transformaram-se em moeda valiosa. E, na corrida ao Palácio Guanabara, a definição dos vices pode ser tão decisiva quanto o nome que encabeça a chapa.

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