
O governador Cláudio Castro (PL) afirmou, nesta quinta-feira (05/Mar), que não pretende conceder recomposição salarial aos servidores estaduais do Rio neste momento. A declaração foi dada durante agenda na Região dos Lagos, enquanto participava da inauguração de uma base do programa Segurança Presente em Iguaba Grande.
Ao comentar as reivindicações do funcionalismo, Castro foi enfático ao descartar a possibilidade de reajuste no curto prazo. “Eu não cedi até agora e não vou ceder”, afirmou o governador, ao justificar que a medida seria financeiramente inviável diante da atual situação fiscal do estado. Segundo ele, o Rio enfrenta um déficit estimado em cerca de R$ 19 bilhões nas contas públicas.
Governador cita crise fiscal e dívida com a União
Durante o evento, Castro afirmou que R$ 14 bilhões do rombo estão relacionados à renegociação da dívida com a União, enquanto outros R$ 5 bilhões seriam consequência da frustração na arrecadação de royalties do petróleo. O governador disse que a prioridade da gestão é manter o equilíbrio das contas públicas.
“Hoje, a gente tem que fazer uma escolha. Ou trabalha com responsabilidade fiscal ou não paga salário. A gente precisa atender 16 milhões de pessoas e manter o estado funcionando”, declarou.
Castro afirmou ainda que reconhece a legitimidade da reivindicação dos servidores, mas sustentou que conceder o reajuste neste momento colocaria em risco a saúde financeira do estado. “Eu entendo o direito do servidor e sei que a recomposição é justa. Mas hoje não dá. Eu não vou quebrar o estado por causa disso”, acrescentou.
Última recomposição ocorreu em 2022
A última recomposição salarial concedida pelo governo estadual ocorreu em 2022, quando a gestão de Cláudio Castro autorizou um reajuste de 13,05%, referente à inflação acumulada de 2017 a 2021. O reajuste foi parcelado e pago em etapas ao longo daquele ano, beneficiando diferentes categorias do funcionalismo estadual.
Desde então, não houve nova recomposição geral, apesar das reivindicações frequentes das entidades representativas dos servidores.
Entidades apontam defasagem de até 30%
Sindicatos e associações do funcionalismo afirmam que os salários voltaram a sofrer perda de poder de compra. De acordo com estimativas de entidades como o Fórum Permanente dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro, a defasagem salarial acumulada já ultrapassa 30%, considerando a inflação registrada desde o último reajuste.
As organizações defendem que a recomposição seria necessária para repor perdas inflacionárias e evitar a precarização dos salários do funcionalismo público estadual.
Castro confirma intenção de disputar o Senado
Durante a agenda em Iguaba Grande, o governador também confirmou que pretende deixar o cargo em abril do próximo ano para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. “Eu não vou deixar uma herança maldita para os meus sucessores. Eu pago dívidas que outros deixaram, mas de mim ninguém vai receber nenhum real de dívida nova”, garantiu.
Castro disse ainda que, caso a situação financeira do estado melhore, a recomposição salarial dos servidores será prioridade. “Se a situação melhorar e tiver dinheiro, a primeira coisa que vamos fazer será recompor o servidor”, finalizou.