
A decisão de Flávio Bolsonaro de bancar o prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella (União Brasil), como um dos nomes da direita para o Senado no Rio de Janeiro não foi recebida com entusiasmo por parte da tropa bolsonarista no estado. Nos bastidores do PL, deputados vêm relatando desconforto com a escolha e avaliam que o apoio ao prefeito pode virar problema eleitoral em vez de ativo político.
A chapa foi anunciada no fim de fevereiro por Flávio, que confirmou os nomes de Cláudio Castro e Marcio Canella para a disputa ao Senado no estado. A composição faz parte de uma articulação mais ampla entre o PL e o União Brasil, com aval das direções partidárias e olho na montagem nacional de palanques para 2026.
O mal-estar, porém, não é pequeno. Entre parlamentares do PL, a avaliação é que Canella carrega um desgaste que pode contaminar quem subir no mesmo palanque. A preocupação, segundo relatos de bastidor já publicados, passa pelo que alguns deputados chamam de “preocupação” com o apoio ao prefeito de Belford Roxo.
O incômodo lembra o que já havia acontecido em torno de Rodrigo Bacellar. Em 2025, Flávio Bolsonaro chegou a ensaiar apoio ao então presidente da Alerj, mas encontrou resistência dentro do próprio campo. Dias atrás, a Polícia Federal informou o indiciamento de Bacellar e de outros investigados no inquérito sobre vazamento de informações para o Comando Vermelho.
No caso de Canella, o desgaste político também tem origem em episódios recentes. Em janeiro de 2025, a nomeação de dois ex-vereadores para secretarias municipais repercutiu mal porque ambos já haviam sido investigados ou citados em apurações sobre ligação com milícias na Baixada Fluminense. A escolha virou alvo de questionamentos e ampliou a resistência ao nome do prefeito fora de Belford Roxo.
Outro ponto que alimentou a pressão foi a crise envolvendo o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, então ligado ao batalhão da cidade. Em janeiro deste ano, a Corregedoria da Polícia Militar o afastou depois da circulação de áudios em que ele apareceria negociando com traficantes do Comando Vermelho sobre barricadas em Belford Roxo. O caso foi alvo de apuração também no Ministério Público.
Mesmo com esse ruído, a aliança segue de pé. O problema para o bolsonarismo fluminense é que a escolha de Canella abriu uma fissura num campo que tentava vender unidade. E, em ano eleitoral, esse tipo de desconforto raramente fica restrito ao bastidor.
Com informações do PlatôBr.