
O governador Cláudio Castro não concede reajuste ao funcionalismo público desde 2022 e descumpre, reiteradamente, a Lei Estadual 9.436/2021. Na semana passada, ao comentar as reivindicações dos servidores, Castro foi enfático ao descartar a possibilidade de reajuste no curto prazo. “Eu não cedi até agora e não vou ceder”, afirmou o governador, subitamente acometido por uma preocupação extrema com a situação fiscal do estado.
Curiosamente, o governador não demonstrou a mesma preocupação ao avalizar o aporte de R$ 1 bilhão do RioPrevidência no Banco Master — operação que pode colocar em risco recursos de aposentados e pensionistas. É igualmente sintomático que Castro também não tenha se alarmado com o desvio de R$ 226 milhões revelado no escândalo do Ceperj, que financiou contratações sem transparência e alimentou estruturas políticas ligadas à extrema direita nas eleições de 2022.
O mesmo descaso com o dinheiro público se repete quando o governo mantém bilionárias isenções fiscais para grandes empresas como a Refit — cujo dono, alvo de graves denúncias de sonegação fiscal, está foragido em Miami — e para a multinacional Procter & Gamble.
Enquanto isso, quem garante o funcionamento do estado segue sem reposição inflacionária e com o salário cada vez mais corroído. No Rio de Janeiro, infelizmente, parece haver dinheiro público para muitos privilégios — menos para valorizar o servidor.
Nos próximos dias, o país acompanhará o julgamento que pode definir o futuro político de Cláudio Castro. Independentemente do desfecho jurídico, o episódio expõe mais uma vez a fragilidade ética e institucional que tem marcado a política fluminense nas últimas décadas. Dizem que até relógio parado acerta duas vezes ao dia. Castro tem mostrado dificuldades em acertar em alguma ação nesses mais de 2 mil dias de governo. A culpa? Sempre de terceiros, é claro.
O Rio de Janeiro precisa virar essa página. É urgente varrer da vida pública a velha e baixa política, marcada por escândalos, clientelismo e desprezo pelo interesse coletivo. O estado só voltará a ter futuro quando a prioridade for o bem público — e não a sobrevivência de projetos de poder.
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