
A Polícia Civil do Rio iniciou nesta sexta-feira (13/03) uma operação contra lixões clandestinos explorados pelo Comando Vermelho na região de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Até a última atualização, duas pessoas haviam sido presas em flagrante por crimes ambientais.
As investigações são conduzidas pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). Segundo os agentes, traficantes passaram a explorar áreas abertas próximas a manguezais para o descarte irregular de resíduos, cobrando cerca de R$ 25 de cada caminhão para permitir o despejo.
Os manguezais da região são considerados estratégicos para o equilíbrio ambiental da Baía de Guanabara, o que amplia a gravidade do impacto ambiental provocado pelo despejo irregular de lixo.
Mandados em cidades do Rio e até em Minas
Ao todo, os policiais saíram para cumprir 86 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em endereços de Duque de Caxias e também na capital fluminense e em municípios da Baixada e da Região Metropolitana. Entre as cidades alvo da operação estão Magé, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, São Gonçalo, Paracambi, Seropédica, Resende e Paty do Alferes. Também houve diligências em São Lourenço, no Sul de Minas.
Durante uma das ações, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, os policiais encontraram duas araras-canindé e um papagaio mantidos de forma irregular dentro de uma residência. O morador não possuía autorização para criar as aves e foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos.
Caminhões e áreas degradadas
De acordo com a investigação, a DPMA identificou um fluxo recorrente de caminhões descartando lixo comum em áreas não licenciadas em Jardim Gramacho. Para permitir a entrada dos veículos, teriam sido abertos acessos improvisados e houve derrubada de vegetação.
Na região também funciona o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Duque de Caxias. Segundo a polícia, em uma área próxima à Rodovia Washington Luís, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente havia concedido licença para uma associação de moradores realizar transbordo e triagem de recicláveis em um terreno de cerca de 40 mil metros quadrados.
Durante fiscalizações feitas com apoio da perícia criminal, porém, os agentes constataram que o local estava recebendo resíduos de diversos tipos, o que contraria a finalidade autorizada. Há cerca de um ano, a polícia já havia realizado uma operação na mesma área.
Barricadas e controle do tráfico
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o controle territorial na região. Segundo a Polícia Civil, o acesso a um dos pontos de despejo exige a passagem por dezenas de barricadas, o que, na avaliação dos agentes, indicaria ao menos a anuência de traficantes na operação do esquema. As apurações apontam que caminhões pagavam cerca de R$ 25 para descarregar resíduos no local.