
O Parlamento Juvenil da Alerj chegou à edição de 2026 com um dado simbólico e político: bateu recorde de inscrições e, mais uma vez, teve maioria feminina entre os candidatos. Ao todo, 853 estudantes dos 92 municípios do estado se inscreveram para participar do programa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Educação.
Desse total, 503 são meninas e 350 são meninos. Na prática, quase 59% dos inscritos são adolescentes do sexo feminino. O número reforça uma tendência que já vinha aparecendo nas últimas edições e mostra que o protagonismo político entre estudantes da rede estadual tem sido puxado, cada vez mais, por elas.
O salto também foi expressivo na comparação com 2025. Foram 184 inscritos a mais que no ano passado, o que transformou a edição de 2026 na maior já registrada pelo programa. A semana parlamentar acontecerá entre os dias 24 e 30 de maio.
No Parlamento Juvenil, cada município elege um representante para viver, durante uma semana, a rotina de um deputado estadual. Os estudantes passam por atividades de formação, acompanham o funcionamento do processo legislativo e apresentam propostas para o estado. Em alguns casos, essas ideias acabam ultrapassando o caráter pedagógico do programa e chegam de fato à tramitação formal na Casa.
O coordenador do projeto, o deputado Danniel Librelon, destacou o crescimento das inscrições e o alcance estadual da iniciativa. “Isso mostra que a juventude quer ser ouvida e contribuir para a construção de um estado melhor. Esse programa é uma porta para que eles conheçam a política de forma responsável, aprendam sobre cidadania e entendam que suas ideias podem ser transformadas em projetos de lei”, afirmou Danniel Librelon.
O programa costuma usar justamente esse argumento para defender sua relevância: não se trata apenas de simulação. Ao longo das últimas edições, propostas apresentadas pelos parlamentares juvenis serviram de base para iniciativas legislativas reais na Alerj. Um exemplo citado pela própria Assembleia é o Projeto de Lei 2946/24, que inclui no calendário oficial do estado a Semana de Combate às Enchentes.
A proposta nasceu da 14ª edição do programa e foi apresentada por jovens representantes de municípios do interior fluminense, como Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua, Sapucaia, Quissamã, Itaperuna, Italva, Porciúncula e Bom Jesus do Itabapoana. É um detalhe importante porque mostra que o projeto não se restringe à capital e consegue irradiar participação política a partir de cidades que quase nunca aparecem no centro das decisões estaduais.
O calendário da edição de 2026 já está em andamento. O processo de eleição dos estudantes nas escolas estaduais se encerra nesta sexta-feira, 13 de março. Depois disso, o programa entra na fase de capacitação. A etapa presencial será realizada entre 23 de março e 14 de abril, em diferentes regiões do estado. Já as aulas on-line acontecerão entre 15 e 17 de abril.
Os participantes terão até 30 de abril para entregar os projetos de lei que irão defender durante a semana parlamentar, em maio. É nesse momento que o programa deixa de ser apenas uma experiência institucional e começa a testar, de fato, a capacidade dos estudantes de transformar demandas locais em formulação legislativa.
O recorde de inscrições ajuda a mostrar duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, que o interesse dos jovens pela política não desapareceu, como muitas vezes se repete por aí. Segundo, que esse interesse tem rosto cada vez mais feminino. No caso do Parlamento Juvenil, não é um detalhe. É um sinal de mudança.