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Alerj vê disputa entre Douglas Ruas e André Ceciliano por mandato-tampão, com Chico Machado correndo por fora

Douglas Ruas x André Ceciliano – Imagem gerada por Inteligência Artificial

O chão da Alerj já começa a ser riscado para a eleição indireta que pode escolher o próximo governador do Rio de Janeiro num eventual mandato-tampão. Ainda que novos nomes possam aparecer, os bastidores da Assembleia já trabalham com dois polos mais visíveis: de um lado, o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas (PL); do outro, o secretário nacional de Assuntos Parlamentares, André Ceciliano (PT).

Douglas Ruas aparece hoje como o nome da base governista e da aliança que já começa a mirar a eleição de outubro. Seu principal ativo está no tamanho das bancadas ligadas ao PL e aos partidos aliados, numa costura que tenta transformar força numérica em maioria na votação indireta. A candidatura também dialoga com o campo que hoje orbita o governador Cláudio Castro e setores da futura federação entre União Brasil e PP, já em processo de aproximação política no estado.

Do outro lado, André Ceciliano tenta se apresentar como a opção de um governo de transição com outra cara. Ex-presidente da Alerj, ele aposta no apoio dos parlamentares de esquerda e de setores do PSD ligados a Eduardo Paes, além de vender a ideia de uma gestão menos fechada no núcleo duro do atual grupo de poder. Nos bastidores, essa é tratada como uma de suas vantagens: a possibilidade de montar um arranjo político mais amplo, inclusive com apoio de governistas que não se sentem contemplados no eixo central do poder estadual.

Esse desenho, porém, ainda pode ganhar um terceiro personagem. Um grupo de deputados já começou a articular a candidatura de Chico Machado, do Solidariedade, como uma espécie de terceira via para o mandato-tampão. A avaliação interna é que ele tem perfil mais conciliador, bom trânsito com diferentes grupos e nenhum tamanho eleitoral capaz de ameaçar diretamente os dois polos principais na disputa de outubro.

É justamente esse perfil que faz Chico Machado ganhar espaço na conversa. Entre deputados, a leitura é que ele poderia reunir votos de parlamentares do PSD próximos de Paes, de bolsonaristas do PL, de setores da esquerda e também de aliados de Rodrigo Bacellar, com quem mantém relação antiga. Numa eleição indireta, em que pragmatismo costuma valer mais do que discurso, esse tipo de nome pode crescer rápido.

Toda essa movimentação depende, claro, do passo que Cláudio Castro dará. Em tese, o governador só precisaria deixar o cargo no início de abril para disputar o Senado. Mas o calendário político e o calendário judicial começaram a se sobrepor. Como o TSE marcou para 24 de março a retomada do julgamento do caso Ceperj, passou a circular com força a hipótese de uma renúncia antecipada, possivelmente no dia 23, véspera da sessão.

O motivo é evidente. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques, mas já está 2 a 0 contra Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar. Votaram pela cassação e pela inelegibilidade a relatora, ministra Isabel Gallotti, e o ministro Antonio Carlos Ferreira. Com isso, a crise deixou de ser apenas uma ameaça jurídica e passou a reorganizar o tabuleiro político do estado.

A Alerj já se preparou institucionalmente para esse cenário. Em fevereiro, a Assembleia aprovou as regras para a eleição indireta de governador e vice-governador em caso de dupla vacância, com escolha feita pelos deputados estaduais. O texto aprovado foi tratado como uma espécie de plano de contingência para uma situação que, até pouco tempo atrás, parecia remota, mas agora já organiza alianças, ambições e movimentos discretos de quase todos os grupos políticos relevantes do estado.

No fim, o que se vê é uma disputa que ainda pode mudar de formato, mas já tem desenho político bem visível. Douglas Ruas representa a continuidade da base governista. André Ceciliano tenta encarnar uma transição mais ampla, ancorada na esquerda e no campo de Paes. E Chico Machado surge como nome de equilíbrio, daqueles que crescem quando ninguém quer entregar a chave do cofre ao adversário principal. No plenário da Alerj, a eleição indireta ainda não começou. Mas o jogo, esse, já começou faz tempo.

As informações são do Agenda do Poder e do Tempo Real.

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