
Em meio à reconfiguração política provocada pela decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, o prefeito Eduardo Paes (PSD) abriu negociações para apoiar um nome ligado ao bolsonarismo na eleição indireta que escolherá o governador-tampão do Rio de Janeiro.
O movimento, visto como pragmático por aliados, envolve o deputado estadual Chico Machado (Solidariedade), ex-secretário e ex-líder do governo de Cláudio Castro (PL) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Apoio condicionado a acordo político
A eventual aliança, no entanto, não seria irrestrita. Segundo interlocutores, o apoio de Eduardo Paes está condicionado a um compromisso formal de Chico Machado: não disputar a reeleição ao governo em outubro, limitando-se a cumprir o mandato-tampão até o fim do ano.
A condição atende a um cálculo político direto — evitar que o ocupante interino use a máquina pública como trampolim eleitoral, abrindo espaço para a candidatura do próprio Paes ao Palácio Guanabara.
Nos bastidores, há ainda a sinalização de que, em troca, Machado poderia ser contemplado futuramente com uma posição no secretariado estadual ou até uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.
Decisão de Fux abre espaço para novas alianças
A articulação ganhou força após a liminar de Luiz Fux, que alterou as regras da eleição indireta e restringiu a participação de nomes ligados ao Executivo sem ?????ver prazos legais de desincompatibilização.
Com isso, candidaturas como as de André Ceciliano, Douglas Ruas e Nicola Miccione perderam viabilidade no curto prazo, abrindo espaço para alternativas dentro da própria Alerj.
É nesse vácuo que surge o nome de Machado, considerado um quadro com trânsito entre diferentes grupos políticos da Casa.
Perfil bolsonarista pode gerar atritos
A possível escolha, no entanto, tem potencial para tensionar a relação de Eduardo Paes com aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Chico Machado mantém posicionamento público alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em diversas ocasiões, manifestou apoio nas redes sociais, inclusive após episódios judiciais envolvendo o ex-mandatário.
O deputado também participou de mobilizações recentes da direita no estado e tem discurso identificado com pautas conservadoras.
Alianças cruzadas marcam estratégia de Paes
Apesar de integrar um campo político que apoia o governo federal, Eduardo Paes vem ampliando pontes com setores ligados ao bolsonarismo no estado.
A escolha de Jane Reis como candidata a vice em sua chapa já havia causado desconforto entre petistas. Ela é irmã de Washington Reis, aliado histórico de Jair Bolsonaro.
Além disso, interlocutores apontam aproximações com grupos ligados ao senador Flávio Bolsonaro, reforçando uma estratégia de composição ampla para a disputa estadual.
Tabuleiro segue em aberto
A eventual candidatura de Chico Machado ainda depende da consolidação de apoios dentro da Alerj e do desfecho das articulações políticas após a decisão do STF.
Enquanto isso, o movimento de Eduardo Paes evidencia a disposição de construir alianças fora de seu campo ideológico tradicional para influenciar o comando do estado no curto prazo — mesmo que isso signifique apoiar, ainda que temporariamente, um nome identificado com o bolsonarismo. Fonte: Jornal O Globo