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Quaquá chama renúncia de Castro de “manobra antidemocrática”

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), elevou o tom contra o governador Cláudio Castro (PL) e classificou como uma “manobra das forças que tentam desestabilizar a democracia” a decisão de renunciar ao cargo. A declaração, feita nas redes sociais na noite de domingo (22), marca uma mudança significativa na postura do petista, que até recentemente era aliado do governador.

Quaquá já chegou a atuar como defensor de Castro, inclusive tentando aproximá-lo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha de 2022. Agora, porém, faz duras críticas à já conhecida manobra do governador em meio à crise política que antecede o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mudança de tom

A crítica do prefeito ocorre às vésperas da análise, pelo TSE, do caso Ceperj, que envolve Castro e o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União). A avaliação é de que a renúncia antecipada do governador faria parte de uma estratégia de partidos de direita para evitar uma eventual declaração de inelegibilidade.

Para Quaquá, a movimentação vai além de uma articulação política convencional. “O que está acontecendo por trás disso é uma tentativa dos grupos da Assembleia e de grupos políticos ligados às forças antidemocráticas do país, as mesmas forças que tentam desestabilizar a democracia, desmoralizar as instituições”, afirmou.

Críticas às “forças antidemocráticas”

Na mesma manifestação, o prefeito de Maricá também criticou ataques a instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF), associando-os ao ambiente político que, segundo ele, cerca a renúncia de Castro.

“A gente sabe que as instituições brasileiras têm que ser reformadas, têm que ser mudadas, mas não é esculhambando o Supremo Tribunal Federal, os ministros, enfim, atingindo a democracia que a gente vai consertar o Brasil”, disse.

Disputa na Alerj

Quaquá também fez um apelo direto a lideranças políticas fluminenses diante da possibilidade de mudanças no comando da Alerj. Caso o TSE decida pela cassação, Bacellar perderia o cargo, abrindo caminho para a eleição de um novo presidente da Casa.

O prefeito defendeu a união de deputados, prefeitos e vereadores em torno de um nome que, segundo ele, tenha compromisso institucional.

“Quero dizer a todos os deputados estaduais, prefeitos, vereadores, que nós temos que nos unir no Rio de Janeiro, para que a gente possa ter um presidente da Assembleia que tenha compromisso com a democracia”, afirmou.

Reconfiguração política

As declarações de Quaquá evidenciam uma reconfiguração no tabuleiro político do Rio, com o afastamento de antigos aliados e o acirramento do discurso em torno da defesa das instituições. A renúncia de Castro, somada ao julgamento iminente no TSE, deve intensificar as disputas por poder no estado nos próximos dias.

A renúncia de Castro, prevista para hoje (23/Mar), acelera o inicio da campanha eleitoral antecipada no Estado entre os grupos do governador e do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). A nível nacional, revela o jogo de poder entre a direita bolsonarista e a esquerda lulista atrás de conquistar a principal cadeira do Palácio Guanabara.

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