
Fechado desde fevereiro, o Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, segue sem previsão de reabertura ao público. O espaço, que integra o conjunto dos Museus Castro Maya, passa por uma série de intervenções estruturais após um princípio de incêndio, que levou à suspensão imediata das visitas por questões de segurança.
Segundo a direção da instituição, o fechamento ocorre para a realização de ações de manutenção, conservação e reforço das condições de segurança. Entre os serviços previstos está a correção da infraestrutura elétrica, apontada como uma das frentes prioritárias após o incidente. A medida, segundo a nota oficial, busca garantir condições adequadas tanto para visitantes quanto para funcionários.
Localizado em uma área de 151 mil metros quadrados dentro do Parque Nacional da Tijuca, o museu é o único da cidade instalado no interior da floresta, cercado por Mata Atlântica e com forte integração entre patrimônio cultural e natural. O terreno abriga quatro edificações e um circuito ao ar livre com obras permanentes de artistas contemporâneos como Hélio Oiticica, Lygia Pape e Nuno Ramos.
O acervo reúne peças de diferentes origens e períodos, com destaque para três núcleos principais: arte oriental, com esculturas e porcelanas; artes aplicadas, que incluem móveis coloniais brasileiros, prataria inglesa e cristais franceses; e azulejaria, com painéis majoritariamente portugueses e louças do Porto. Ao longo das décadas, o espaço também consolidou sua vocação paisagística, com jardins que funcionam como extensão expositiva.
A propriedade foi adquirida em 1913 pelo advogado e mecenas Raymundo Ottoni de Castro Maya e transformada em museu em 1964. Desde os anos 1990, a instituição adota o conceito de patrimônio integral, que articula preservação cultural e ambiental. O conjunto é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1974 e, desde 1983, está sob gestão federal, vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus, órgão ligado ao Ministério da Cultura.