
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realiza nesta sexta-feira (16), às 11h, a eleição para sua nova presidência em um ambiente de forte tensão política. Com a retirada da candidatura de Vitor Junior (PDT), o deputado Douglas Ruas (PL) passa a ser o único nome na disputa.
A votação acontece depois de dias de impasse político e judicial em torno do formato do pleito. A principal controvérsia envolve a manutenção do voto aberto, decisão que foi preservada pela Justiça do Rio e provocou reação imediata de parlamentares ligados ao grupo do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).
Uma frente formada por 25 deputados de nove partidos — PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania, PCdoB e PV — afirmou que vai se retirar do plenário em protesto. O bloco considera que a votação aberta esvazia a liberdade dos deputados e transforma a eleição em um processo sem equilíbrio político.
Em nota, o grupo afirmou: “Essa frente partidária não irá legitimar um processo eleitoral de fachada, retirando-se do plenário caso mantido o voto aberto”. A deputada Martha Rocha (PDT) também criticou o modelo. “Entendemos que o voto secreto evita a intimidação que, por certo, a base do então governador Cláudio Castro vai tentar fazer com os deputados”, disse.
Do outro lado, Douglas Ruas defende a votação aberta e sustenta que o formato garante mais transparência ao processo. “Por que esconder em quem você vai votar? Eu acho que a população tem direito. Quanto mais transparência no poder público, melhor. Seja no Legislativo, no Judiciário, no Executivo, eu sou a favor da máxima transparência”, afirmou.
A eleição desta sexta ocorre depois da anulação do pleito anterior, realizado em março, quando o próprio Douglas Ruas havia sido eleito para o comando da Casa. Na ocasião, a votação acabou invalidada pelo Tribunal de Justiça do Rio, após questionamentos ligados ao boicote promovido por deputados da oposição.
Tradicionalmente, o presidente da Alerj ocupa posição central na linha sucessória do governo estadual. Desta vez, no entanto, o eleito não assumirá o comando do Palácio Guanabara. Uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, permaneça como governador em exercício até que a Corte defina como será a escolha do novo chefe do Executivo no mandato-tampão.
Segundo Douglas Ruas, o foco imediato é encerrar a interinidade na própria Assembleia. “A primeira etapa é dar fim à interinidade no Legislativo. Já no Executivo, isso depende da decisão do STF sobre como será feita a eleição do novo governador”, declarou.
Com candidato único e ameaça de esvaziamento do plenário, a eleição para a presidência da Alerj deve aprofundar a disputa entre os grupos políticos que hoje se enfrentam pelo controle da Casa e pela influência no futuro do governo do Rio de Janeiro.
Com informações do g1