
O prefeito Eduardo Cavaliere quer transformar setembro em um novo mês de peso no calendário cultural da cidade. A ideia em gestação é criar uma espécie de supersemana de arte, com exposições espalhadas por diferentes pontos do Rio de Janeiro, numa tentativa de dar à capital um projeto de grande repercussão, tanto no Brasil quanto no exterior.
A proposta, segundo a informação que circula nos bastidores, é disputar atenção com iniciativas que hoje ajudam a projetar a cidade para além do circuito local, como o Todo Mundo no Rio e até o Rock in Rio. A aposta é clara: usar a arte como motor de imagem, turismo e circulação urbana, levando programação para várias regiões da cidade em vez de concentrar tudo em um único ponto.
A comparação com o Todo Mundo no Rio ajuda a entender a ambição. O projeto de megashows em Copacabana ganhou dimensão internacional e já tem edição marcada para 2 de maio de 2026, com apresentação gratuita de Shakira, em um movimento que a própria prefeitura vem usando como vitrine de promoção da cidade fora do país.
No caso da proposta de setembro, o foco muda da música para as artes visuais, mas a lógica parece parecida: criar um evento com escala, presença territorial e capacidade de repercussão. Em vez de uma atração concentrada, a ideia seria espalhar exposições pela cidade e fazer do Rio um grande circuito cultural por alguns dias.
Até aqui, não apareceu anúncio oficial detalhando formato, orçamento, locais ou instituições parceiras. O que existe é o desenho político de um projeto que busca reforçar a marca cultural da gestão de Eduardo Cavaliere, que assumiu a prefeitura em março com o discurso de continuidade administrativa e de manutenção de grandes agendas de cidade.
Se sair do papel com escala real, a supersemana de arte pode virar mais um capítulo da disputa do Rio de Janeiro por visibilidade global. E também mais um sinal de que a prefeitura quer transformar grandes eventos e ocupação cultural do espaço urbano em peça central da sua estratégia de imagem.
Com informações de Ancelmo Gois/O Globo.
