A Polícia Federal avançou nas investigações sobre a aplicação de quase R$ 1 bilhão do RioPrevidência, fundo responsável pela previdência dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro, em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. As informações são de Lauro Jardim/O Globo.
O caso virou um dos principais escândalos financeiros ligados ao governo Cláudio Castro, porque envolve recursos vinculados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. A suspeita investigada é se houve irregularidade na decisão de direcionar dinheiro público previdenciário para títulos de uma instituição financeira que depois entrou em colapso.
A operação investigada pela PF envolve cerca de R$ 970 milhões aplicados em letras financeiras do Banco Master. As apurações miram operações feitas entre novembro de 2023 e julho de 2024, período em que o RioPrevidência comprou papéis emitidos pela instituição.
O que é o escândalo do Rioprevidência
O centro do escândalo é simples: o RioPrevidência, que administra recursos ligados à aposentadoria e pensão dos servidores estaduais, aplicou quase R$ 1 bilhão em títulos do Banco Master durante a gestão Cláudio Castro.
Esses títulos eram letras financeiras, uma espécie de papel de dívida emitido por bancos para captar dinheiro no mercado. Na prática, o RioPrevidência entregou recursos ao Banco Master em troca da promessa de remuneração futura.
O problema é que o banco entrou na mira de investigações federais e acabou liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio a problemas de liquidez e violações de regras do sistema financeiro, segundo a Reuters. Os papéis comprados pelo Rioprevidência não tinham cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Por isso, a investigação busca saber quem autorizou os investimentos, quais critérios técnicos foram usados, se os riscos foram ignorados e se houve algum tipo de favorecimento indevido na escolha do Banco Master.
PF apura risco elevado ao patrimônio dos servidores
A Operação Barco de Papel foi deflagrada para apurar suspeitas de operações financeiras irregulares envolvendo recursos do RioPrevidência. Segundo a PF, a investigação busca entender se o patrimônio da autarquia foi exposto a risco elevado e incompatível com sua finalidade.
Esse ponto é central. O dinheiro do RioPrevidência não é uma sobra de caixa comum do governo. São recursos ligados ao sistema previdenciário dos servidores estaduais. Por isso, aplicações desse tipo precisam seguir critérios de segurança, liquidez, transparência e aderência às normas do setor público.
A suspeita é que a decisão de investir em papéis do Banco Master tenha destoado do padrão esperado para um fundo previdenciário estadual. Reportagem do NeoFeed apontou que, desde novembro de 2023, o RioPrevidência aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras do banco e R$ 1,5 bilhão em fundos administrados pela instituição.
Rioprevidência diz que operação seguiu as regras
O RioPrevidência tem afirmado que os investimentos seguiram a legislação e as normas de controle. A autarquia também informou que os valores estariam protegidos por decisão judicial e que a recuperação dos recursos ocorreria por meio da retenção de receitas de crédito consignado que seriam repassadas ao Banco Master.
Segundo a versão do fundo, a expectativa é que o valor seja recuperado em cerca de dois anos. Ainda assim, a PF apura se a aplicação foi feita de forma regular e se houve responsabilidade de gestores na exposição dos recursos previdenciários ao risco.
Após a operação da PF, o então presidente do RioPrevidência, Deivis Antunes, foi afastado do cargo pelo governo Cláudio Castro, que também anunciou uma apuração interna sobre os investimentos realizados pela autarquia.
Caso amplia desgaste sobre a gestão Castro
O avanço da investigação aumenta o desgaste sobre a gestão Cláudio Castro, já pressionada por outras apurações envolvendo contratos, indicações políticas e órgãos do governo estadual.
No caso do RioPrevidência, o potencial dano político é ainda maior porque o tema envolve diretamente servidores ativos, aposentados e pensionistas do estado. Mesmo que a recuperação dos valores seja confirmada, a investigação mira a origem da decisão e os motivos que levaram o fundo a concentrar volume tão alto de recursos em papéis ligados ao Banco Master.
A PF tenta agora reconstruir a cadeia de decisões: quem indicou o investimento, quem aprovou, quais pareceres técnicos foram emitidos e se alertas de risco foram ignorados. O resultado dessa apuração pode definir se o caso ficará restrito a uma gestão temerária de recursos ou se avançará para suspeitas mais graves de irregularidade financeira.