O ex-deputado Comte Bittencourt deve assumir, nas próximas semanas, o comando do Partido Socialista Brasileiro no Rio de Janeiro. A movimentação é articulada pelo prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, e já é tratada como certa nos bastidores políticos.
A filiação de Comte ao partido deve ser oficializada em junho. Com isso, ele substituirá Alessandro Molon na presidência estadual da legenda no Rio.
A negociação vinha sendo construída há meses e ocorre em meio à crise interna do Cidadania, partido que Comte Bittencourt presidiu nacionalmente até o agravamento das disputas judiciais pelo controle da sigla.
João Campos articulou aproximação com Comte
Desde 2025, João Campos e Comte Bittencourt vinham conversando sobre uma aproximação entre PSB e Cidadania. A ideia inicial era construir uma federação partidária entre as duas legendas, com foco nas eleições de 2026.
Com o avanço da crise interna no Cidadania, porém, a migração de lideranças para o PSB ganhou força.
No Rio de Janeiro, a mudança também tem peso eleitoral. A estratégia é fortalecer as chapas do partido para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e para a Câmara dos Deputados, atraindo quadros ligados ao grupo político de Comte.
Crise no Cidadania acelerou mudança
Comte Bittencourt construiu sua trajetória política no antigo PPS, partido que depois passou a se chamar Cidadania. Em setembro de 2023, ele assumiu a presidência nacional da legenda após a saída de Roberto Freire.
Nos últimos meses, no entanto, o dirigente passou a enfrentar uma disputa política e jurídica pelo comando do partido.
Em março deste ano, o Cidadania realizou dois congressos paralelos. Um grupo reconduziu Comte à presidência nacional. Outro elegeu o deputado federal Alex Manente para o mesmo cargo.
A disputa foi parar na Justiça e ainda não teve uma definição definitiva. Até agora, as decisões têm caráter liminar, o que aumentou a instabilidade dentro da legenda.
PSB vira destino de lideranças
A insegurança jurídica acelerou a saída de dirigentes estaduais e parlamentares do Cidadania. Nesse movimento, o PSB passou a ser o principal destino das lideranças em busca de reorganização para 2026.
Até recentemente, Comte Bittencourt negava publicamente que deixaria o partido. Nos bastidores, porém, admitia que as conversas entre PSB e Cidadania estavam avançadas.
A troca também redesenha o cenário interno do PSB no Rio. Alessandro Molon, atual presidente estadual da sigla, não deve disputar mandato em 2026, embora tenha sido citado em conversas políticas como possível nome para o Senado.