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Claudio Castro deixa corrida ao Senado após operações da PF e PL busca substituto

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ex-governador Cláudio Castro (PL) anunciou, nesta quinta-feira (28/05), que não será mais candidato ao Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão foi comunicada em vídeo publicado nas redes sociais, dias depois de ele ser alvo de duas operações de busca e apreensão da Polícia Federal em investigações ligadas à Refit e ao Banco Master.

No pronunciamento, Castro afirmou que sua família viveu dias difíceis e disse que pretende se afastar da disputa eleitoral para se dedicar à defesa jurídica. “Esses dias estão sendo muito difíceis. Minha família está passando momentos que eu jamais imaginei que ia passar. Foram dias de dor, dias de exposição, dias de mentiras, dias de narrativas que, muito pior do que a mentira, é a meia-verdade”.

A fala marca uma mudança brusca no roteiro político do ex-governador. Em março, ele deixou o Palácio Guanabara com o plano de disputar uma vaga no Senado. Na ocasião, a renúncia ocorreu às vésperas da retomada de julgamento no TSE que poderia afetar seu futuro eleitoral.

Agora, sem mandato e sem candidatura, Castro tenta reorganizar a própria defesa em meio ao avanço das investigações. A desistência também cria um problema para o PL no Rio, que passa a discutir quem ocupará a vaga na chapa ao Senado.

O peso das operações da PF

A candidatura de Cláudio Castro já vinha sendo tratada internamente como um problema depois das ações da Polícia Federal. Segundo apuração publicada nesta quinta-feira, o ex-governador sinalizou a aliados que deixaria a disputa após ser alvo de duas operações em menos de 15 dias. A primeira ocorreu no caso Refit. A segunda, na investigação sobre o Banco Master.

No vídeo, Castro negou irregularidades e afirmou que os processos serão esclarecidos. “Resolvi tirá-la para que eu possa me focar completamente na minha defesa. Vocês sabem, eu sou advogado e eu já analisei, sobretudo, esses dois processos. Não tenho dúvida que a verdade será esclarecida. Não tenho dúvida que as meias-verdades cairão”.

O ex-governador também disse que seus advogados já apresentaram defesa no primeiro caso e que uma nova petição será protocolada até a próxima terça-feira. “Com a certeza de estar fazendo o correto, eu me retiro temporariamente do pleito eleitoral. Penso que, assim, teremos condições de fazer uma defesa técnica”.

Comparação com Sérgio Cabral volta ao debate

A desistência de Cláudio Castro reacendeu, no meio político fluminense, uma comparação inevitável com Sérgio Cabral. Em 2014, Cabral deixou o governo do Rio com a justificativa de que poderia disputar o Senado. Poucos meses depois, também abriu mão da candidatura. A renúncia de Cabral ao governo ocorreu em abril de 2014, e a desistência da disputa ao Senado foi anunciada em junho daquele ano.

A semelhança está menos no conteúdo jurídico dos casos e mais no roteiro político: dois ex-governadores do Rio deixam o poder, falam em Senado e acabam fora da disputa após forte desgaste público.

No caso de Cabral, a queda de popularidade já vinha desde as manifestações de 2013 e da revelação de sua proximidade com empresários, incluindo o episódio que ficou conhecido como “farra dos guardanapos”. Em novembro de 2016, ele foi preso na Operação Calicute, no âmbito da Lava Jato, sob acusação de chefiar um esquema de corrupção no estado.

No caso de Castro, o desgaste se concentra nas operações recentes da PF e nas investigações sobre sua relação com empresários. No inquérito do Banco Master, a Polícia Federal apura a ligação entre o ex-governador e o banqueiro Daniel Vorcaro, além dos investimentos feitos pelo Rioprevidência no banco.

PL busca substituto para a vaga ao Senado

Com Cláudio Castro fora da disputa, o PL terá de definir um novo nome para concorrer ao Senado pelo Rio. Entre os cotados aparecem os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante.

A escolha deve passar por Flávio Bolsonaro e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que seguem com peso decisivo na montagem da chapa bolsonarista no estado. Segundo apuração publicada nesta quinta-feira, o substituto de Castro será escolhido dentro desse núcleo político do partido.

A saída do ex-governador também mexe no tabuleiro da direita fluminense. Até então, Castro era tratado como um dos nomes do campo bolsonarista para disputar uma das vagas ao Senado. Com a desistência, o partido tenta evitar que o desgaste das investigações contamine outras candidaturas no Rio.

No vídeo, Cláudio Castro tentou apresentar a decisão como uma pausa, e não como encerramento da carreira política. “Preciso cuidar dos meus filhos, da minha casa, da minha esposa, das pessoas que eu amo, das pessoas que estiveram comigo durante toda essa caminhada”;

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