Assim como muitas instituições nacionais e globais, o conglomerado Itaú comunicou ao seu corpo de funcionários que vai rever o seu esquema de trabalho híbrido, sobretudo na área administrativa. O Itaú informou que, dos oito dias presenciais trabalhados por mês nos escritórios, a empresa pretende passar para três dias trabalhados presencialmente por semana.
Globalmente, o trabalho em home-office, que foi a salvação de diversos segmentos do mercado produtivo durante a pandemia da Covid-19, está perdendo fôlego de forma consistente nas empresas; tendência que também atinge o trabalho híbrido, ainda considerado uma espécie de meio-termo na transição para o trabalho totalmente presencial.
Em muitas corporações, a mudança vem acompanhada de novas regras e mudanças na rotina, além da insatisfação de profissionais que já tinham reorganizado a vida com mais flexibilidade. Por isso, muitas organizações estão comunicando com antecedência a sua reconfiguração laboral – quando a maior parte, ou toda parte, da carga horária será cumprida nos escritórios.
Por meio de nota, o Itaú esclareceu que elaborou um cronograma para dar tempo aos funcionários de se adaptarem às necessárias mudanças. O banco destacou que o objetivo é permitir que eles reorganizem a vida pessoal e familiar sem danos ou mudanças bruscas. O Itaú destacou ainda que os formatos de trabalho são ajustados de acordo com o contexto e as necessidades de cada período.
O comunicado destacou ainda que a mudança visa “fortalecer a colaboração, a troca de conhecimento e a agilidade na tomada de decisões em um mercado financeiro cada vez mais dinâmico”. O banco destacou ainda que as mudanças serão equilibradas e em alinhamento às práticas globalmente adotadas.
A notícia, no entanto, surpreendeu muitos trabalhadores. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, por exemplo, ressaltou que não houve negociação prévia. Assim, a entidade pretende se reunir com o banco para discutir a situação. O sindicato também adiantou que deve acompanhar a estruturação dos escritórios para o retorno dos trabalhadores, uma vez que há informações de que os espaços não comportariam o aumento de pessoas nos dias presenciais.
Se pelo lado dos funcionários, as mudanças geram resistência, pelo lado das ocupações de imóveis corporativos elas têm sido vistas de forma positiva. Em São Paulo, cidade sede do Itaú, a quantidade de escritórios vazios caiu para 13,4% no primeiro trimestre de 2026, pelos dados da consultoria JLL – menor nível em 14 anos. O resultado demonstra que as corporações voltaram a ocupar prédios e usar mais os espaços físicos ao mesmo tempo.
Apesar de não citar números, o Itaú adiantou que a presencialidade laboral será acompanha por investimento na modernização dos escritórios, que terão a sua capacidade ampliada, ambientes integrados para impulsionar o trabalho colaborativo, melhorias nos serviços de apoio aos funcionários, além de incrementos tecnológicos.
Nessa direção, o Nubank já havia anunciado um investimento de R$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos para a ampliar a sua capacidade de trabalho presencial. O Bradesco, por sua vez, anunciou a reforma do seu edifício Nova Central, localizado no Centro de São Paulo. A expectativa é de que no prédio, que atualmente está desocupado, devem trabalhar cerca de 2.500 funcionários. Nele também funcionarão espaço comerciais para servir aos funcionários e à população local, já que o imóvel fica na Avenida Ipiranga, ao lado do tradicional e gigantesco edifício Copan, onde residem cerca de cinco pessoas.
As mudanças encontram respaldo em certas constatações corporativas. A empresa de consultoria Mercer Brasil verificou que 76% dos gestores demonstram insegurança quanto à produtividade no trabalho remoto. Além disso, eles reclamam do excesso de reuniões (66%) e de dificuldades na gestão e na cultura organizacional – esta, certamente, fica enfraquecida pela distância.
O rearranjo, entretanto, é visto como um problema por muitos trabalhadores. Em novembro do ano passado, o Nubank também anunciou que aumentaria os dias presenciais, de forma gradual a partir de 2026, e enfrentou uma reação imediata por parte de funcionários, que divulgaram um manifesto elencando os possíveis impactos na vida pessoal. No documento foi destacado que muitos profissionais escolheram trabalhar no banco por causa sua flexibilidade e organizaram a vida familiar e financeira em outras cidades, com compra de imóveis e assinatura de contratos de aluguel, inclusive. Os trabalhadores alegaram que a volta ao trabalho presencial, além de impactar a rotina familiar, também geraria custo com transporte, entre outros gastos.
Na ocasião, o Nubank disse ainda, por meio de nota, que não aceitaria descumprimento de regras, não comentando casos específicos de demissão. A empresa ampliou os canais internos de diálogos com os trabalhadores para sanar possíveis dúvidas.
No Itaú, a redução da jornada de trabalho de forma remota, acontece após o banco ter demitido cerca de mil funcionários que trabalhavam em regime híbrido ou remoto. Os desligamentos, segundo a instituição, seriam resultado de uma revisão de condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada.
Tento em nível nacional quanto em nível global, a tendência à volta ao trabalho presencial dá sinais de ser irreversível. Segundo o Itaú, a redução de dias trabalhadores mensalmente a partir de casa de ser iniciada em 2028.
O movimento do conglomerado Itaú está alinhado a outras corporações brasileiras e globais, como Petrobras, JP Morgan, Goldman Sachs, BlackRock, Amazon, Washington Post, conglomerado Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp), Apple, Dell, Disney,Alphabet(controladora do Google), Starbuck, Tesla, entre outras corporações.
Com informações do G1 e Bloomberg Línea .