A crise financeira dos Correios já afeta a área cultural da estatal. O Centro Cultural Correios, no Centro do Rio, suspendeu o calendário de exposições previsto para os próximos meses, surpreendendo artistas, curadores e produtores que já preparavam mostras desde o ano passado.
A notificação foi enviada na semana passada às equipes responsáveis. No comunicado, a instituição afirma que a decisão atende a uma determinação da gestão do departamento cultural dos Correios, em Brasília. Até agora, não há novo cronograma para as exposições afetadas.
A medida ocorre em meio ao agravamento da situação financeira da empresa. Segundo demonstrações financeiras aprovadas pelo Conselho de Administração, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Em 2025, o déficit havia sido de cerca de R$ 1,7 bilhão.
De acordo com o Centro Cultural, a decisão integra um processo de readequação interna. Em nota, a instituição informou que a empresa revisa o modelo de cessão de seus espaços culturais para alinhar ações de cultura e desenvolvimento às medidas em curso, com foco em otimização de recursos e sustentabilidade. Os estudos sobre o futuro do modelo de funcionamento seguem em andamento, sem prazo para conclusão ou retomada da programação.
O espaço funciona desde a década de 1980 e recebe, em média, 400 mil visitantes por ano, com cerca de 50 eventos culturais anuais. O centro cultural está instalado em um edifício da década de 1920, na região da Candelária, a poucos metros do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O prédio, com cerca de 3 mil metros quadrados, abriga atividades de teatro, vídeo, música, artes plásticas, cinema e outras linguagens.
Enquanto o futuro da programação segue indefinido, o Centro Cultural Correios mantém apenas as exposições em cartaz, com encerramento previsto para 4 de julho: “Língua de Fogo”, de Pàulla Scàvazzini; “Arca Quattro”, de Luiz Badia; “Jardim”, de Carol Ambrósio; e “Caminho Suspenso”, de Ruan D’Ornellas.
