Clãs, como as máfias, não operam por projetos de país, não debatem democraticamente programas e divergências, não se movem por ideias e causas.
“Tudo se resume a obedecer ao coronel”, como se dizia na República Velha. Tudo gira em torno da fidelidade ao chefe, até mesmo no partido político. A disputa é para ver quem melhor se aproveita do prestígio do “capo” em declínio.
O que move cada membro do clã é, no fim das contas, a sede de poder, o desejo de mando, a exemplo do patriarca em seu outono.
Jair ungiu seu sucessor com um bilhete imperativo. A velha raposa política, Valdemar Costa Neto, acomodou-se: “O presidente falou, tá falado”.
O patriarca enumerou, imperial, sua “linha sucessória”: 01, 02, 03, 04. O difícil é saber quem é mais desprovido de boa formação política e de valores como solidariedade, respeito à diversidade e apreço à democracia.
Michelle busca protagonismo usando a condição de esposa fiel do “galego”, mas está revelando agora – por que só agora? – que o clã é machista e agressivo, “apunhala, ofende, desrespeita e humilha”, disse em vídeo postado nas redes durante o jogo contra a Escócia.
Isso é da natureza do clã: patriarcal, autoritário, misógino e patrimonialista. Quem não é consanguíneo da “famiglia” não merece confiança, mesmo orando pela mesma cartilha retrógrada – aliás, até duelando os dois apelam para Deus sem cerimônia!
O pedido de “desculpas” do 01, horas depois de desprezar a denúncia da madrasta, é uma farsa eleitoreira.
Essa briga, agora tornada pública, revela o baixo e degradado nível político e ético de quem quer voltar a (des)governar o país e manter maioria nesse #congressoinimigodopovo.
Acompanhe com atenção esse conflito interpartes, que se merecem. Periga logo eles se “reconciliarem”, derramando “lágrimas de crocodilo”.
*Chico Alencar é escritor, professor de História e deputado federal eleito pelo PSOL-RJ
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