A Justiça do Estado do Rio de Janeiro converteu em preventiva, neste sábado (08/08), a prisão em flagrante de Diogo dos Santos Serpa. O homem, que não possui formação ou registro profissional em medicina, foi preso enquanto realizava um atendimento domiciliar a uma menina de 10 anos portadora de um tumor cerebral maligno, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A decisão foi proferida pela juíza Andressa Maria Ramos Ramundo durante a audiência de custódia. A magistrada argumentou que a manutenção do suspeito na prisão é indispensável para resguardar a coletividade e evitar a continuidade de práticas criminosas.
Decisão destaca gravidade e habitualidade da prática
Em sua fundamentação, a juíza ressaltou que a atuação do acusado não se tratou de um episódio isolado, uma vez que ele vinha realizando consultas, prescrevendo medicamentos e solicitando exames mediante a usurpação da identidade de médicos habilitados:
“A utilização reiterada de identidade e documentos médicos alheios, associada à realização de atendimentos e prescrição de medicamentos sem habilitação profissional, revela maior censurabilidade da conduta e demonstra que a liberdade do agente representa risco direto à vida alheia”, destacou a magistrada.
A juíza reforçou ainda que a medida busca proteger a população diante dos indícios de que o falso médico mantinha uma rotina de atendimentos ilícitos:
“A gravidade concreta dos fatos exige resposta firme do Poder Judiciário, especialmente diante dos elementos que indicam habitualidade na prática delitiva (…). Assim, a custódia cautelar não se funda em gravidade abstrata, mas na necessidade de impedir a continuidade delitiva e resguardar a coletividade”, completou.
Prisão e Investigação
Diogo foi detido na quinta-feira (06/08) por agentes da 63ª DP (Japeri) no bairro Jardim Pitoresco, em Nova Iguaçu, durante uma consulta na residência da vítima. As investigações apontam que ele acompanhava a criança desde outubro de 2025, somando pelo menos seis atendimentos com valores que variavam entre R$ 700 e R$ 1 mil por visita.
A farsa começou a ser desmantelada quando a mãe da paciente desconfiou de condutas como a falta de troca da sonda de alimentação por cinco meses. Ao consultar o nome impresso no carimbo (Jeferson Targino Sampaio) no portal do Cremerj, ela constatou que a foto cadastrada pertencia a outro profissional e acionou a Polícia Civil. A menina, acometida por um meduloblastoma grau IV, já passou por dez cirurgias delicadas e segue acamada sob cuidados intensivos.