Preso desde maio, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) renunciou ao mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quarta-feira (12/08). Ele é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de desvios em contratos da Secretaria de Estado de Educação.
O pedido de renúncia foi lido no plenário pelo vice-presidente da Alerj, deputado Guilherme Delaroli (PL), que comandava a sessão. Rangel estava afastado desde a prisão, ocorrida em 5 de maio, e deixou o cargo pouco mais de três meses depois.
Na carta, datada de 10 de agosto, Thiago Rangel afirma que a decisão foi tomada de forma “livre e espontânea” e tem caráter “irrevogável e irretratável”. O ex-deputado alegou que precisa se dedicar de forma integral à defesa no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal.
Com a renúncia, Wellington José (União), que já exercia o mandato desde o afastamento de Rangel, passa a ocupar a cadeira em caráter definitivo, segundo a Alerj.
Wellington era o primeiro suplente do Podemos, partido pelo qual Thiago Rangel foi eleito em 2022, com 31.175 votos. Embora Rangel tenha trocado a legenda pelo Avante, a vaga pertence à chapa formada na eleição.
Investigação mira contratos da Secretaria de Educação
Thiago Rangel foi preso na quarta fase da Operação Unha e Carne, que cumpriu sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro e nos municípios de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.
A investigação apura suspeitas de organização criminosa, peculato, fraude em licitação e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Secretaria de Estado de Educação. Segundo a Polícia Federal, parte dos recursos supostamente desviados teria sido enviada para contas ligadas a uma rede de postos de combustíveis controlada pelo grupo investigado.
Os investigadores também apontaram uma possível influência de Rangel sobre a estrutura da secretaria. Áudios recolhidos pela Polícia Federal mostram o então deputado dando orientações sobre nomeações e movimentações internas na pasta.
A prisão preventiva foi mantida por decisão do ministro Alexandre de Moraes e confirmada por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
Com informações do portal Tempo Real