terça-feira, 18 de agosto de 2026 - 10:40

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A importância de avaliar a segurança pública nas eleições

Foto: Reprodução

A campanha para o governo do estado começou e o eleitor fluminense já sabe exatamente o que vai ouvir nos próximos meses. Dificilmente um candidato deixará a segurança pública de fora do topo do palanque. O problema é que a discussão costuma cair no mesmo roteiro de sempre: cada grupo puxa a brasa para a sua própria cartilha ideológica, aposta em soluções fáceis e transforma um desafio complexo em mera disputa de narrativas. Enquanto sobram discursos e promessas, quem vive o dia a dia do Rio continua refém da mesma insegurança.

Se a área é tratada como a prioridade número um de todos os discursos, o primeiro compromisso de quem quer governar não deveria ser anunciar pacotes milagrosos, mas sim assumir a responsabilidade de avaliar, com método e rigor sistemático, tudo aquilo que já foi e continua sendo executado.

No campo das políticas públicas, avaliar significa ir além do mero controle: trata-se de formular um juízo de valor criterioso e fundamentado sobre o mérito e a relevância de uma intervenção, gerando recomendações práticas que orientem a tomada de decisão.

Historicamente, a gestão pública fluminense se acostumou a lançar programas de nomes sonoros, investir volumes vultosos de recursos, impactar a rotina de comunidades inteiras e, na primeira troca de comando, simplesmente descontinuar as iniciativas. O resultado dessa rotina de descontinuidade é que ninguém sabe, de fato, o que funcionou, onde houve falhas ou por quais razões os objetivos não foram alcançados. Segurança pública não pode ser conduzida por intuição, manchetes da semana ou pela percepção do momento.

Fazer essa avaliação com seriedade significa ir muito além de ouvir a opinião das pessoas nas ruas. A escuta da população é fundamental, mas o trabalho técnico exige mergulhar na caixa-preta dos programas implementados, analisando contratos, metas e protocolos operacionais para entender para onde o orçamento foi direcionado. Passa também por cruzar dados reais de manchas criminais com indicadores socioeconômicos e registros dos órgãos de controle, examinando os gargalos das operações e o impacto concreto de cada ação na vida de quem está na ponta.

Mais do que apenas identificar erros, o papel desse diagnóstico é produzir recomendações claras para a gestão, mostrando com precisão onde corrigir rotas, onde reforçar investimentos e quais gastos devem ser interrompidos.

Planos de governo não podem ser resumidos a cartas de intenções elaboradas para atender às demandas de marketing eleitoral. A população do Rio de Janeiro precisa de propostas amparadas em evidências concretas, acompanhadas de indicadores claros e rotinas contínuas de monitoramento. Tratar a avaliação de políticas públicas como prioridade é o ponto de partida para qualificar o gasto e garantir respeito ao cidadão, porque sem análise sistemática do passado e do presente, qualquer discurso de palanque continuará sendo apenas retórica vazia.

Searon Cabral é Pedagogo e Mestre em Avaliação pela Faculdade Cesgranrio, fundador do Grupo Esperança e presidente do Instituto Tudo que transforma.


As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.

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