
A disputa política no estado do Rio começa a ganhar contornos cada vez mais visíveis no ambiente digital. Um levantamento comparando as redes sociais do governador Cláudio Castro (PL) e do prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) indica uma vantagem expressiva do chefe do Executivo estadual em alcance e engajamento nas principais plataformas.
No Instagram, a diferença de seguidores de Castro é mais que o dobro de Paes (1,36 milhão), o mesmo acontecendo no TikTok (580 mil a mais). No X, antigo Twitter, a superioridade do governador atinge 450 mil. No Facebook, plataforma mais utilizada por adultos e idosos, este número se amplia, com a diferença chegando a 700 mil internautas. Abaixo, a tabela com os respectivos números de seguidores.
Seguidores aproximados nas principais redes
| Plataforma | Cláudio Castro | Eduardo Paes |
| 2,3 milhões | 933 mil | |
| TikTok | cerca de 1 milhão | cerca de 420 mil |
| X (antigo Twitter) | cerca de 1,1 milhão | cerca de 650 mil |
| cerca de 1,6 milhão | cerca de 900 mil |
Embora os números variem conforme o ritmo de crescimento das contas, a diferença se mantém em praticamente todas as plataformas.
Prisão de vereador escancarou
O contraste ficou evidente após a repercussão da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), ocorrida na última quarta-feira (11). Enquanto Castro publicou vídeos da operação policial que levou à detenção do parlamentar, Paes usou suas redes para defender o aliado político. Os números mostram que, no Instagram, o governador mobilizou uma audiência significativamente maior, tanto em volume de seguidores quanto em interações.
No Instagram, principal vitrine política das duas lideranças, Castro possui cerca de 2,3 milhões de seguidores, enquanto Paes reúne 933 mil. A diferença ajuda a explicar parte do desempenho das publicações, mas não toda. Em menos de 24 horas, o vídeo publicado por Castro sobre a prisão do vereador registrou 72,5 mil curtidas, enquanto a postagem de Paes alcançou 18,3 mil. Também houve vantagem do governador em outros indicadores de engajamento.
Engajamento nas postagens sobre a prisão de Salvino
| Métrica | Cláudio Castro | Eduardo Paes |
| Seguidores no Instagram | 2,3 milhões | 933 mil |
| Curtidas | 72,5 mil | 18,3 mil |
| Comentários | 5.019 | 2.643 |
| Compartilhamentos | 2.922 | 1.866 |
| Envios por mensagem | 12,1 mil | 4.021 |
Mesmo levando em conta o tamanho das contas, Castro mantém vantagem. A taxa aproximada de curtidas em relação ao total de seguidores chega a cerca de 3,1% no caso do governador, contra 2% na publicação do prefeito.
Termômetro político nos comentários
Além do volume de interações, o conteúdo das respostas também revela diferenças no ambiente digital dos dois políticos. Uma análise por amostragem das mensagens publicadas até 24 horas após a prisão de Salvino indica que:
Distribuição aproximada dos comentários
| Tipo de comentário | Castro | Paes |
| Positivos | 55% | 40% |
| Negativos | 35% | 45% |
| Neutros | 10% | 15% |
No perfil de Castro, muitos apoiadores destacaram a atuação policial e o discurso de combate ao crime, com termos como “parabéns”, “Polícia Civil”, “justiça” e “lei”. Entre críticos, surgiram acusações de exploração política do episódio.
Já na publicação de Paes, a divisão foi mais acentuada. Entre apoiadores apareceram expressões como “transparência”, “correto” e “não se esconde”, enquanto críticos cobraram explicações sobre a relação política com o vereador preso.
Redes sociais como arena eleitoral
Especialistas em comunicação política avaliam que as redes sociais se tornaram um dos principais campos de disputa eleitoral, permitindo que líderes construam narrativas diretamente com seus eleitores.
No caso fluminense, a comparação entre os perfis de Castro e Paes indica que o governador larga na frente no alcance digital, fator que pode ter peso crescente à medida que o debate eleitoral se intensifique.
A reação nas redes à prisão de Salvino Oliveira mostrou como episódios políticos e policiais são rapidamente transformados em batalhas narrativas online, nas quais curtidas, comentários e compartilhamentos funcionam como indicadores imediatos de apoio ou rejeição e, em outubro, em voto. Fonte: Portal Tempo Real.