
Trinta e oito quilômetros podem parecer uma distância razoável, mas para quem pretende acompanhar de perto cada movimento do Porto do Rio, já é uma rotina puxada. Foi essa a justificativa do novo presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro (PortosRio), Flávio Vieira, que, duas semanas após assumir, encaminhou ao RH da estatal um pedido de auxílio-moradia de R$ 4,5 mil. O objetivo é trocar a cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, por um endereço mais próximo da sede da empresa, recém instalada no edifício RB1, na Avenida Rio Branco, pertinho do Museu do Amanhã.
O valor, no entanto, não chega a chocar quem acompanha o mercado imobiliário da Região Portuária. Com quase vinte novos empreendimentos prestes a serem entregues, apartamentos compactos, mobiliados e de até 40 metros quadrados estão com aluguéis entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil. Uma média de R$ 87 por metro quadrado.
Vieira assume o lugar de Francisco Martins, que agora segue apenas na diretoria de Negócios. O que realmente chama atenção é o perfil do novo presidente, que não tem qualquer histórico no setor portuário; sua experiência pública se resume a cargos em Belford Roxo — como Secretário de Saúde e da Casa Civil. A indicação tem DNA político e veio de Waguinho, ex-prefeito da cidade e aliado de primeira hora de Lula. Inicialmente, Waguinho sonhava em assumir o comando do Porto, mas a Lei das Estatais barrou a possibilidade, abrindo caminho para Vieira, um nome de confiança.