
O deputado federal Hélio Lopes decidiu trocar o Rio de Janeiro por Roraima no mapa eleitoral de 2026. Aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, ele transferiu o título para Boa Vista e abriu uma frente de desgaste dentro do próprio PL, que não esperava a mudança e agora tenta entender o que fazer com ela.
A movimentação foi recebida com surpresa até pela direção nacional da legenda. Reportagem de Veja apontou que o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, foi pego de surpresa ao tratar dos planos eleitorais de Hélio. Em Roraima, a Folha BV informou que a cúpula estadual do PL também não havia sido avisada previamente sobre a transferência.
Nos bastidores, o gesto foi lido como tentativa de abrir caminho para uma candidatura ao Senado por Roraima. O problema é que o movimento não chegou em terreno livre. A notícia irritou dirigentes locais e já há relatos de resistência dentro do partido à viabilidade de Hélio Lopes para qualquer cargo majoritário no estado.
Ao mesmo tempo, o deputado mantém outra frente aberta. Em fevereiro, Hélio Lopes anunciou candidatura à vaga do Tribunal de Contas da União, que será aberta com a aposentadoria de Aroldo Cedraz. Segundo ele próprio, a decisão foi tomada depois de conversas com lideranças nacionais, entre elas Jair Bolsonaro, e sua postulação já contaria com mais de 80 assinaturas de apoio na Câmara.
Esse movimento paralelo ajuda a explicar o desconforto no partido. A candidatura ao TCU já vinha sendo tratada como ruído interno no PL, e a mudança de domicílio para Roraima ampliou a sensação de que Hélio resolveu montar seu próprio roteiro, ainda que fora da estratégia desenhada pela legenda.
No fim, o cenário mais provável hoje parece menos grandioso do que o gesto inicial sugeria. Se não conseguir espaço para o Senado e não avançar na disputa pelo TCU, a tendência é que tente preservar o mandato de deputado federal, agora buscando se ancorar no eleitorado roraimense. A aposta, ao que tudo indica, continua sendo a mesma: manter a associação direta com Bolsonaro como principal ativo eleitoral.
O próprio histórico de Hélio Lopes ajuda a mostrar o peso desse vínculo. Em 2018, quando apareceu na urna como Hélio Bolsonaro, foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 345.234 votos. Em 2022, já sem o mesmo impacto do primeiro ciclo bolsonarista, foi reeleito com 132.986 votos. A queda é expressiva e ajuda a explicar por que ele trata o sobrenome político como parte decisiva da própria sobrevivência eleitoral.
A troca do Rio por Roraima, portanto, não é apenas uma curiosidade cartorial. É um movimento que revela incerteza, ambição e disputa de espaço dentro do bolsonarismo. E, pelo menos por enquanto, mais bagunça o tabuleiro do PL do que oferece uma saída clara para Hélio Lopes.
Com informações do Agenda do Poder.