
A poucos dias de uma possível definição sobre o mandato-tampão no Palácio Guanabara, em meio às especulações sobre uma eventual saída do governador Cláudio Castro (PL), um embate público entre aliados do governo escancarou fissuras na base na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Protagonizaram o confronto o presidente interino da Casa, Guilherme Delaroli (PL), e o líder do governo e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Amorim (União). A troca de acusações ocorreu nesta quarta-feira (18), durante reunião da comissão e aflora também a disputa dos dois por uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Críticas à condução da Alerj
Durante a sessão da CCJ, Amorim fez duras críticas à forma como Delaroli vem conduzindo os trabalhos legislativos, classificando sua atuação como “imperialista” e “ditatorial”.
O deputado afirmou que projetos de outros parlamentares teriam sido atropelados, citando como exemplo a proposta que amplia para 24 horas o funcionamento dos vagões exclusivos para mulheres nos trens, iniciativa apresentada por Delaroli.
Amorim ironizou o protagonismo do presidente interino e questionou sua legitimidade no cargo, ressaltando que ele não foi eleito para a função. Também afirmou que continuará recorrendo a instrumentos regimentais para se opor ao que considera excessos na condução da Casa.
Disputa por projeto e ameaça de veto
O estopim do conflito foi justamente a aprovação, em plenário, do projeto que estende o uso dos vagões femininos durante todo o dia no sistema ferroviário do estado.
Apesar de aprovado por unanimidade, Amorim anunciou que pretende atuar junto ao governo para barrar a medida. Segundo ele, o texto apresenta falhas e teria sido elaborado com motivações políticas. O parlamentar declarou que iniciaria articulações junto à Casa Civil para viabilizar o veto integral da proposta, elevando o tom do embate entre os dois aliados do governo.
Resposta de Delaroli e defesa do projeto
Em nota, Delaroli rebateu as críticas e atribuiu as declarações de Amorim à “vaidade” e à “falta de empatia”. O presidente interino defendeu a legalidade e a relevância da proposta, destacando que o texto foi aprovado sem votos contrários.
Segundo ele, a medida representa um avanço em políticas públicas voltadas à proteção das mulheres no transporte público e atende a uma demanda antiga. Delaroli também criticou a tentativa de barrar a sanção da lei e afirmou que a presidência da Alerj seguirá empenhada em garantir a implementação da iniciativa.
Racha em momento sensível
O embate ocorre em um momento politicamente delicado no estado. A possibilidade de renúncia de Castro para disputar o cargo de senador e a consequente eleição indireta na Alerj para um mandato-tampão de governador têm intensificado disputas internas na base governista.
Somado a isso, Amorim luta para conquistar uma cadeira no TCE na vaga aberta com a condenação e prisão do ex-presidente da Corte, José Gomes Graciosa. Empoderado por exercer o principal cargo do Legislativo fluminense, Delaroli lançou o próprio irmão para a mesma vaga, o prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL). Nesse cenário, a troca de acusações entre dois nomes centrais da articulação política na Alerj expõe não apenas divergências pontuais, mas também a disputa por poder, espaço e influência dentro do grupo aliado ao Palácio Guanabara.