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Aprender inglês ainda vale a pena na era da inteligência artificial? Especialistas explicam por que sim

Foto: Freepick

Na era dos tradutores automáticos, óculos inteligentes com legendas em tempo real e assistentes de voz que “falam” dezenas de idiomas, pode parecer que aprender uma nova língua, como o inglês, está se tornando obsoleto. Afinal, se a tecnologia resolve barreiras linguísticas em segundos, por que investir tempo e esforço em decorar verbos irregulares ou treinar a pronúncia do th?

A resposta é simples e profundamente cerebral. Aprender um idioma continua sendo uma das atividades mais benéficas para o cérebro humano. Além de ampliar repertórios culturais e facilitar a comunicação real em viagens ou no trabalho, o contato ativo com uma nova língua fortalece funções cognitivas essenciais, como memória, atenção, agilidade mental e capacidade de tomar decisões.

“Estudar outra língua é como abrir uma porta para novas conexões”, afirma o neurologista Renato Gama, doutor em Cognição e Linguagem e professor da Afya Educação Médica. “Mesmo nos estágios iniciais de aprendizado, já é possível notar melhorias cognitivas como foco, agilidade mental e capacidade de ignorar distrações.”

Pesquisas em neurociência comprovam: o cérebro de quem aprende uma nova língua se modifica fisicamente. O processo estimula a neuroplasticidade, a habilidade do órgão de criar novas conexões, e pode, inclusive, retardar o aparecimento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Pessoas bilíngues costumam apresentar maior flexibilidade mental, redes neurais mais complexas e capacidade ampliada de resolver problemas.

Tradução não é compreensão

Apesar de úteis, tradutores automáticos e ferramentas com IA têm limitações claras. Eles podem fornecer equivalentes literais, mas não interpretam entonações, gírias, contextos culturais ou nuances emocionais, elementos fundamentais da linguagem humana.

“Dominar uma língua não é apenas saber gramática. É construir confiança para se expressar”, afirma Bruno Simantob, CEO da Transfer English. “Imagine depender de internet para se comunicar em uma emergência. Em alguns países, apagões acontecem. Nesses casos, só o conhecimento real salva.”

Além disso, o uso passivo da tecnologia pode levar à preguiça cognitiva. Segundo Renato Gama, o excesso de dependência de apps pode afetar negativamente áreas do cérebro ligadas à memória e ao raciocínio lógico. “Facilitar o cotidiano é ótimo. Mas terceirizar o pensamento não fortalece o cérebro. Interagir ativamente com a língua ainda é o que fortalece as conexões neurais”, alerta o médico.

Mais que idioma: saúde e autoconfiança

Aprender inglês (ou qualquer outro idioma) não é apenas uma habilidade funcional. É também um investimento em saúde mental, reserva cognitiva e autoconhecimento. O envolvimento ativo com uma nova língua treina o cérebro a lidar com o novo, amplia repertórios culturais e proporciona uma sensação de conquista, especialmente em adultos.

Aliás, os adultos também levam vantagem: se por um lado têm mais dificuldade com a fonética, por outro contam com maior capacidade de análise e organização. “O aprendizado pode ser mais consciente e estratégico”, explica Gama.

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