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Armazém histórico no Cais do Valongo vai virar mega centro da memória negra com investimento milionário

Tombado pelo Iphan em 2016, o conjunto rebatizado de André Rebouças em setembro, foi erguido em 1871 — Foto: Reprodução/Google Maps

Como adiantado pelo DIÁRIO DO RIO em dezembro do ano passado, o antigo Armazém Docas Pedro II, hoje rebatizado como Armazém Docas André Rebouças, na Região Portuária do Rio, está prestes a ganhar nova função. Localizado em frente ao Cais do Valongo, o espaço será transformado em um dos maiores complexos da América Latina dedicados à memória da população negra.

A requalificação contará com investimento de R$ 86,2 milhões, provenientes do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O processo licitatório para contratação da empresa responsável pelas obras já foi concluído pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mas o cronograma e a data de início das intervenções ainda não foram divulgados.

Segundo o instituto, as próximas etapas envolvem a liberação dos recursos, o empenho e a assinatura do contrato com a empresa vencedora, o que permitirá o início efetivo das obras em momento ainda indefinido.

Complexo cultural e arqueológico

Após a restauração, o imóvel vai abrigar o Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial Cais do Valongo, voltado à valorização da herança africana, da diáspora negra e do legado do engenheiro André Rebouças, responsável pelo projeto original do armazém. A proposta é que o espaço funcione como polo de pesquisa, formação, mediação cultural e difusão de conhecimento.

O complexo também receberá o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana, responsável pela guarda e estudo de mais de um milhão de peças arqueológicas. Parte desse material foi encontrada nas escavações do próprio Cais do Valongo, área reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco e considerada um dos principais marcos da história do tráfico transatlântico de africanos escravizados no Brasil.

A gestão do futuro centro ficará a cargo da Fundação Cultural Palmares, com participação de movimentos sociais, organizações locais e do comitê gestor do Valongo.

Erguido em 1871, o armazém tem cerca de 14 mil metros quadrados e é um dos símbolos da transformação urbana e portuária do Rio no século XIX. Projetado por André Rebouças, engenheiro negro e abolicionista, o edifício também carrega valor histórico por ter sido construído com exigência de mão de obra livre em um período ainda marcado pela escravidão. Tombado pelo Iphan, o imóvel integra um conjunto de bens que reforçam a importância histórica da região conhecida como Pequena África.

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