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Bairro Peixoto, em Copacabana, pode ganhar prédios de até 11 andares com mudança na legislação

Bairro Peixoto, em Copacabana

Criada em 1989 para preservar uma das áreas mais características de Copacabana, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Bairro Peixoto pode estar ameaçada. Uma emenda incluída no projeto Praça Onze Maravilha, aprovado pela Câmara no fim de maio, flexibiliza as regras de altura para edificações em trechos do sub-bairro e abre caminho para que imóveis mais baixos alcancem o mesmo gabarito de prédios vizinhos construídos antes da criação da área protegida.

A mudança atinge segmentos das ruas Santa Clara, Figueiredo Magalhães, Siqueira Campos e Tonelero. Na prática, construções que hoje estão sujeitas ao limite de 15 metros estabelecido pela APA poderão chegar a cerca de 11 pavimentos, desde que sigam os parâmetros previstos na nova legislação.

Embora esteja inserido em um dos bairros mais adensados do país, o Peixoto preserva características urbanísticas raras na Zona Sul. Grande parte de seus edifícios residenciais foi construída entre as décadas de 1940 e 1950, com poucos andares e arquitetura que destoa das torres predominantes em outras áreas de Copacabana.

A origem dessa configuração remonta à antiga chácara do comerciante português Paulo Felisberto Peixoto da Fonseca. Em 1938, ao doar suas terras para instituições beneficentes, ele estabeleceu que as futuras construções não poderiam ultrapassar três pavimentos. A restrição foi sendo flexibilizada ao longo do tempo, mas o bairro manteve um perfil de ocupação mais baixo.

Associação faz abaixo-assinado

A mudança provocou reação de moradores da região. A Associação de Moradores Oásis, que representa o Bairro Peixoto, lançou um abaixo-assinado solicitando o veto da emenda que altera os limites de altura das edificações. Até esta segunda-feira, o documento havia reunido cerca de 1.370 assinaturas pedindo que o prefeito Eduardo Cavaliere vete dispositivos da emenda nº 126 que, segundo os organizadores, poderiam comprometer a proteção urbanística da região. 

Em resposta, a Câmara Municipal destacou que o projeto Praça Onze Maravilha foi discutido ao longo de diversas etapas de participação pública, incluindo duas audiências públicas, quatro reuniões técnicas e um seminário aberto à população.

A Casa informou ainda que o texto aprovado pelos vereadores passa atualmente por revisão técnica e consolidação da redação final antes de ser encaminhado ao Executivo para análise e eventual sanção.

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