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Botafogo volta a correr risco de transfer ban em meio à crise financeira

Junior Santos. Palmeiras x BOTAFOGO pelo Campeonato Brasileiro no Estadio Allianz Parque, 18 de Marco de 2026, Sao Paulo, SP, Brasil. Foto: Vitor Silva/Botafogo.

O Botafogo voltou a acender o sinal vermelho fora de campo. A Fifa condenou o clube a quitar uma dívida com o Zenit, da Rússia, pela contratação do atacante Artur, e o risco de novo transfer ban já está no horizonte. O problema não aparece isolado. Ele se encaixa num quadro mais amplo de aperto financeiro, atrasos e desgaste institucional que acompanha a SAF alvinegra desde o início do ano.

A pendência com o clube russo é de 5,7 milhões de euros, algo em torno de R$ 34 milhões a R$ 35 milhões, referentes a três parcelas em atraso. Segundo reportagens confirmadas pelo ge e pela CNN Brasil, o Botafogo pretende recorrer da decisão, mas o prazo costuma ser de 45 dias. Se não pagar, o clube pode voltar a ser impedido de registrar jogadores.

O caso pesa ainda mais porque o clube já havia enfrentado um transfer ban neste começo de 2026 por causa da dívida ligada à contratação de Thiago Almada. Ou seja, não se trata de um acidente pontual. O que aparece agora é a repetição de um padrão: compromissos assumidos, caixa pressionado e a necessidade de correr atrás do prejuízo quando a cobrança já virou sanção.

A crise não ficou restrita ao mercado de transferências. Em janeiro, o ge revelou que o elenco convivia com atraso de direitos de imagem, enquanto a diretoria adotava corte de gastos em vários departamentos. O clube chegou a quitar parte desses valores para reduzir a tensão interna, mas o episódio mostrou que o problema já tinha transbordado do escritório para o vestiário.

Por trás disso está também a turbulência da Eagle Football, grupo ligado a John Textor. Em outubro de 2025, o ge mostrou que a Ares Management, credora da holding, concedeu um alívio temporário para não executar garantias de uma dívida de cerca de US$ 450 milhões. Nesse pacote estão ativos ligados a Lyon, Botafogo e Molenbeek. Parte da fatia do Crystal Palace foi vendida por 190 milhões de libras, e uma parte desse valor ficou com a credora.

O imbróglio com o Lyon também ajuda a contar essa história. Em agosto de 2025, uma carta assinada pelo então CEO Thairo Arruda apontou que o Botafogo havia emprestado 122 milhões de euros ao clube francês desde 2023, valor equivalente a R$ 771 milhões nas cotações das datas das operações. O documento dizia que o dinheiro serviu para ajudar no fluxo de caixa do time europeu e em exigências regulatórias na França.

Dentro de campo, o estrago ajuda a agravar o clima. O Botafogo entrou nesta reta de março afundado em crise esportiva, na zona de rebaixamento do Brasileirão e cercado de críticas ao trabalho de Martín Anselmi. O time chegou ao sorteio da Sul-Americana sob o peso de derrotas seguidas no campeonato e da eliminação precoce na Libertadores.

No fim, o risco de transfer ban por causa de Artur é só a face mais recente de um problema maior. O Botafogo não lida apenas com uma dívida específica. Lida com uma engrenagem financeira instável, pressionada por decisões passadas, por pendências internacionais e por uma estrutura de grupo que, até aqui, produziu mais incerteza do que proteção.

Com informações da Placar e do ge.

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