
A troca de concessionária na BR-040, oficializada em novembro de 2025, ainda não trouxe o alívio esperado por quem depende diariamente da principal ligação rodoviária entre o Rio de Janeiro e a Zona da Mata mineira. Sob gestão da Elovias, que assumiu o trecho anteriormente operado pela Concer, a estrada segue marcada por buracos, sinalização precária e problemas de drenagem, cenário que contrasta com o forte aumento no valor do pedágio autorizado no início da nova concessão.
Asfalto degradado e risco constante
Motoristas relatam que as piores condições se concentram na Baixada Fluminense, no entorno de Duque de Caxias, e no trecho mais crítico da rodovia: a Serra de Petrópolis. Buracos profundos, desníveis e remendos mal executados transformaram a pista em um percurso considerado perigoso, sobretudo à noite e em dias de chuva.
Em dezembro, vídeos e fotos que circularam nas redes sociais mostraram crateras em faixas de rolamento, responsáveis por danos frequentes a pneus, rodas e sistemas de suspensão. Motociclistas relatam quedas, enquanto caminhoneiros apontam o aumento do risco de tombamentos nas curvas da serra.
“Parece um piso lunar. Você reduz a velocidade para escapar de um buraco e acaba desviando de outro logo à frente. Na descida da serra, a combinação de pouca iluminação e asfalto ruim é explosiva”, afirma o caminhoneiro Jorge Silva, que percorre semanalmente o trajeto entre o Rio e Juiz de Fora.
Reajuste de 45% no pedágio amplia críticas
A insatisfação dos usuários cresceu ainda mais com o reajuste das tarifas de pedágio, em vigor desde 4 de novembro de 2025. Autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o valor para automóveis passou de R$ 14,50 para R$ 21,00 nas praças de Duque de Caxias (RJ), Areal (RJ) e Simão Pereira (MG), aumento de aproximadamente 45%.
O reajuste colocou o trecho entre os mais caros do país em relação ao estado de conservação da pista, segundo associações de transportadores e usuários frequentes da rodovia.
“O motorista paga caro e não vê retorno. Não há fluidez, segurança nem conforto. É uma conta que não fecha”, reclama a comerciante Ana Paula Moreira, que viaja quinzenalmente entre Petrópolis e Juiz de Fora.
Nova concessão e promessas antigas
A Elovias justifica o aumento afirmando que o novo contrato, com validade de 30 anos, prevê investimentos robustos ao longo do tempo, incluindo a retomada das obras da chamada Nova Subida da Serra de Petrópolis, promessa histórica da BR-040, paralisada há mais de uma década.
Em nota, a concessionária informou ter iniciado um plano emergencial de recuperação, com reforço nas equipes de manutenção, operações tapa-buraco, limpeza de sistemas de drenagem e substituição de sinalização danificada. A empresa reconhece, porém, que o pavimento apresenta desgaste estrutural severo, atribuído ao que chama de “anos de subinvestimento” na gestão anterior.
Fiscalização e cobrança de prazos
O Ministério Público Federal (MPF) e a ANTT acompanham a transição e o cumprimento das metas iniciais do contrato. Técnicos da agência reguladora avaliam relatórios mensais enviados pela concessionária e não descartam sanções caso os prazos de recuperação não sejam cumpridos.
Para 2026, a Elovias promete intensificar as intervenções, com recuperação profunda do pavimento, duplicação de segmentos estratégicos, instalação de novos radares e câmeras de monitoramento, além da modernização dos sistemas de atendimento ao usuário. Até que essas medidas saiam do papel, motoristas seguem convivendo com os mesmos obstáculos, agora, a um custo maior.
Enquanto isso, cautela redobrada
Especialistas em segurança viária alertam que, até a execução das obras estruturais, o risco de acidentes continuará elevado, sobretudo em períodos de chuva intensa, comuns no verão da Região Serrana. A recomendação é reduzir a velocidade, manter distância segura e evitar viagens noturnas sempre que possível.
Serviço
- Valor do pedágio (automóveis – 2025): R$ 21,00
- Trecho: BR-040 entre Juiz de Fora (MG) e Rio de Janeiro
- Onde reclamar:
- Canais oficiais da concessionária Elovias
- Ouvidoria da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)