A Comissão Permanente de Transportes e Trânsito da Câmara do Rio realizou, nesta terça-feira, 19 de maio, uma audiência pública para discutir o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais. A medida foi anunciada pela Prefeitura do Rio no dia 14 de maio e deve passar a valer no fim do mês.
O encontro reuniu gestores municipais, empresários do setor e representantes da sociedade civil no plenário da Casa. O objetivo foi debater formas de reduzir os impactos da mudança e aprimorar o funcionamento do sistema Jaé.
Presidente da comissão, o vereador Marcelo Diniz (PSD) abriu a audiência destacando a necessidade de esclarecer os efeitos práticos da medida na rotina dos passageiros. “Precisamos trabalhar para encontrar maneiras para que a medida seja a melhor possível para a população”.
O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, disse que o fim do pagamento em espécie no transporte público não é uma novidade no Rio. Ele lembrou que o BRT e o VLT já começaram a operar sem cobrança em dinheiro dentro dos veículos. “O BRT e o VLT já surgiram sem o pagamento embarcado”.
Segundo o secretário, o dinheiro físico continuará sendo aceito nos postos de recarga do Jaé. Ele também defendeu que a transição para o pagamento digital é uma tendência nacional.
O presidente da Câmara do Rio, Carlo Caiado (PSD), afirmou que o debate é necessário para ampliar o acesso da população ao sistema. “O debate sobre o modelo de cobrança no transporte municipal é essencial, por isso promovemos essa audiência pública. Depois da discussão aberta com a sociedade, a prefeitura anunciou que vai passar a vender o Jaé também nas bancas de jornal. Isso é muito positivo, porque a população precisa de mais facilidade no acesso ao sistema de transporte público. A cobrança por meio digital permite mais transparência e controle sobre os recursos que entram no sistema de transporte”.
Prefeitura promete ampliar pontos de atendimento
Durante a audiência, Marcelo Diniz questionou como moradores de regiões sem estações de BRT ou VLT, como Rio das Pedras, fariam a validação e a recarga dos bilhetes.
Jorge Arraes respondeu que mesmo em Rio das Pedras há postos de recarga a cerca de 500 metros dos pontos de ônibus, mas afirmou que a Prefeitura do Rio pretende ampliar a rede. “Até o dia 30, quando passa a valer a medida, pretendemos inaugurar mais mil pontos de atendimento no município”, declarou.
Para atender pessoas de baixa renda e ampliar o acesso ao sistema, Marcelo Diniz sugeriu a abertura de pontos de recarga em lotéricas. Outros participantes defenderam que farmácias, clínicas da família e agências dos Correios também sejam incluídas. O secretário afirmou que as sugestões serão analisadas pelo Executivo.
Vereadores cobram inclusão digital
Vogal da comissão, o vereador Poubel (PL) questionou se a prefeitura fez estudos sobre o impacto da mudança em idosos e pessoas com baixo letramento digital. “É fundamental que essas pessoas tenham auxílio para não ficarem excluídas por conta da mudança”.
Jorge Arraes respondeu que a prefeitura realizou estudos nos últimos cinco meses sobre as consequências da alteração. Segundo ele, apenas 8% dos pagamentos são feitos em dinheiro, o que reduziria o impacto da medida.
Sobre os idosos, o secretário afirmou que o efeito tende a ser limitado, já que esse público tem acesso à gratuidade no transporte municipal por meio de cartão ou documento de identidade.
O vereador Poubel também questionou os motivos para o fim da integração no cartão verde do Jaé. Arraes afirmou que, quando o projeto foi aprovado, esses bilhetes não previam integração. Segundo ele, o encerramento definitivo do benefício ocorreu para evitar o uso do cartão em esquemas de lavagem de dinheiro.
O secretário defendeu que o fim do pagamento em dinheiro tem como base a redução do tempo de parada dos ônibus, a diminuição da exposição a crimes e o aumento da rastreabilidade da arrecadação.
Administrador da página Transporte da Zona Oeste, Guilherme Silvestre questionou esse argumento. Ele afirmou que o uso de celulares para pagamento pode aumentar o risco de roubos dentro dos coletivos.
Sugestões para o Jaé também entraram no debate
A audiência também tratou de melhorias técnicas no Jaé. Pedro Teixeira, assessor do vereador Pedro Duarte (PSD), sugeriu que os ônibus passem a aceitar Pix e cartões de débito e crédito diretamente nos validadores. Jorge Arraes afirmou que a possibilidade será discutida com a equipe do Jaé.
Cristiano Oliveira, representante do transporte alternativo, relatou problemas no sistema. Ele afirmou que ainda não recebeu o cartão preto e que enfrenta falhas em recargas que não aparecem no aplicativo.
O subsecretário de Tecnologia em Transportes, Lauro Silvestre, disse que se tratava de um caso pontual, mas afirmou que acionaria a equipe de suporte para solucionar a situação.
Marcelo Diniz também perguntou se o fim do pagamento em dinheiro será estendido aos transportes complementares, como vans e cabritinhos. Jorge Arraes respondeu que esses modais também terão interrupção do pagamento em espécie, mas que essa discussão ficará para o próximo ano.