
A opção do PL por Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em 2026 não muda a rota já traçada para o irmão, o vereador carioca Carlos Bolsonaro. O plano segue o mesmo: lançá-lo candidato ao Senado por Santa Catarina.
Segundo pessoas próximas, o filho “02” do ex-presidente Jair Bolsonaro já decidiu que vai se mudar para o estado do Sul para viabilizar o projeto eleitoral. A movimentação, porém, tem causado desconforto entre bolsonaristas catarinenses, que esperavam disputar a vaga ao Senado com nomes locais.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, o rearranjo provocado pela saída de Flávio da disputa pelo Senado abriu espaço para um novo desenho político em torno do prefeito Eduardo Paes.
Na noite desta sexta-feira (05), um jantar no restaurante Satyricon, em Ipanema, selou o nome do deputado federal Pedro Paulo como candidato ao Senado pelo PSD, ocupando o lugar antes reservado a Flávio Bolsonaro na chapa de Paes.
Ao redor da mesa, entre pratos e conversas políticas, Pedro Paulo definiu com seus dois principais aliados — Guilherme Schleder e Márcio Ribeiro — os próximos passos. Com o parlamentar assumindo o projeto para o Senado, a disputa pela vaga de candidato a deputado federal do grupo ficou entre os dois.
Quem será o herdeiro de Pedro Paulo?
De um lado está Guilherme Schleder, secretário municipal de Esportes e Lazer, deputado estadual licenciado e um dos auxiliares mais próximos de Eduardo Paes. Do outro, o vereador Márcio Ribeiro, em seu segundo mandato e atual líder do governo na Câmara Municipal do Rio.
Os dois ganharam a missão de “mostrar serviço” até a reta final antes das convenções. Quem estiver em melhor posição política, eleitoral e de articulação interna ficará com a benção de Pedro Paulo para disputar a Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na prática, o escolhido herdará a vaga e o capital político do deputado do PSD no tabuleiro federal.
Tabuleiro fluminense e catarinense
Com Pedro Paulo encaixado como candidato ao Senado pelo PSD na chapa de Eduardo Paes, abre-se outro espaço no Rio: a vaga que seria de Flávio Bolsonaro no estado.
Esse lugar tende a ser ocupado pelo governador Cláudio Castro, que poderia disputar o Senado pelo PL em dobradinha com o atual senador Carlos Portinho, candidato à reeleição. O movimento ajusta o time governista fluminense e reorganiza o campo bolsonarista no estado.
Já em Santa Catarina, o cenário deve continuar tenso. A migração de Carlos Bolsonaro para disputar o Senado encontra resistência entre lideranças da direita local, que esperavam manter a vaga como um ativo da política catarinense, e não como destino de exportação de um nome do Rio.