Quem caminha pela Rua do Carmo, na esquina com a Rua da Assembleia, no coração do Centro Histórico do Rio de Janeiro, já se acostumou com uma cena de absoluto desprezo à ordem pública. A calçada em pedra portuguesa, em frente ao antigo Starbucks e ao icônico Edifício Cândido Mendes, um dos pontos principais de estacionamento proibido no centro da cidade, principalmente por ser junto ao Menezes Cortes e a diversos edifícios de garagem, virou estacionamento privativo para carros oficiais do Governo Federal.
Apesar dos esforços contínuos da Guarda Municipal para manter a Rua do Carmo livre de veículos irregulares, o péssimo exemplo dado pelas autoridades federais criou um “efeito cascata” avassalador. Inspirados pela impunidade dos “alecrins dourados” do ministério, motoristas de carros particulares passaram a alinhar seus veículos ao lado das viaturas oficiais, formando um verdadeiro bolsão de estacionamento clandestino.
A bagunça é alimentada por flanelinhas ilegais que tomaram conta do trecho. Usando coletes falsificados, os extorsionários usam a presença dos carros do governo como “chancela” para cobrar de motoristas comuns:
“Pode sim, irmão, olha ali os carros do governo parados”, é o que dizem os extorsionários de plantão, com seus uniformes falsificados.
A farra dos carros oficiais ganha contornos ainda mais absurdos pela localização. O abuso ocorre a escassos 30 metros do Terminal Garagem Menezes Côrtes e a apenas 40 metros do Edifício Garagem Cidade do Carmo. Espaço legítimo para estacionar não falta; o que sobra é comodismo e sentimento de superioridade.
Recentemente, a Prefeitura do Rio promoveu uma grande operação de ordenamento na região. Contudo, nem a fiscalização municipal parece inibir as viaturas de elite pagas com o dinheiro do contribuinte.
O contraste entre a imponência das caminhonetes e a degradação do espaço público levanta a indignação dos cariocas que transitam pelo Centro Histórico. Ironias à parte sobre o que os representantes do Ministério de Portos e Aeroportos tanto fazem diariamente no local, além de apreciar o passeio público, fica a pergunta que o cidadão faz ao ver a calçada destruída e ocupada: até quando o “chapa branca” estará acima da lei no Rio de Janeiro?