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Castro emplaca seu homem de confiança como vice de Ruas no mandato-tampão

Nicole Miccione será o candidato a vice-governador durante o mandato-tampão

O governador Cláudio Castro (PL) consolidou, nesta terça-feira (17), a estratégia do grupo governista para a disputa do mandato-tampão no estado ao conseguir emplacar um nome de sua estrita confiança no comando da futura administração. O secretário-chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, foi escolhido como candidato a vice na chapa encabeçada pelo secretário das Cidades e deputado estadual Douglas Ruas (PL).

A definição foi fechada durante reunião no Palácio Guanabara, que reuniu integrantes do núcleo político do governo. O arranjo garante a Castro influência direta sobre a máquina estadual durante o período de transição, caso a chapa seja confirmada pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), responsável pela eleição indireta.

Miccione como “primeiro-ministro”

Nos bastidores, o desenho político-administrativo prevê um protagonismo incomum para o vice. Nicola Miccione deve atuar como uma espécie de “primeiro-ministro”, à frente da rotina das secretarias e da interlocução com áreas estratégicas do governo.

Com isso, Douglas Ruas ficaria desonerado das tarefas administrativas do dia a dia, podendo concentrar esforços na consolidação de apoios políticos e na construção de sua candidatura para a eleição de outubro.

A avaliação de aliados é que a composição reúne, de um lado, capacidade de gestão e a manutenção do controle da máquina pública, representada por Miccione e, de outro, capital político e articulação, atribuídos a Ruas. Apesar de ser secretário desde o início do governo, Ruas não faz parte do núcleo político mais próximo de Castro.

Articulação em Brasília e pressão no TSE

A definição da chapa ocorre após dias de negociações intensas, incluindo agendas em Brasília. O próprio Cláudio Castro passou parte da terça-feira na capital federal em articulações relacionadas à sua sucessão e à tentativa de reverter o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O processo, que pode resultar na cassação de seu mandato e em sua inelegibilidade, envolve acusações sobre a contratação de cerca de 20 mil cabos eleitorais por meio da Fundação Ceperj e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) durante a campanha de reeleição em 2022. O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Nunes Marques, com placar parcial de 2 a 0 pela condenação.

Duas chapas e estratégia eleitoral

A reunião no Palácio Guanabara também serviu para alinhar o discurso da base governista diante do novo cenário político. O grupo trabalha com duas frentes distintas. Para o mandato-tampão, que deve vigorar de abril até o fim do ano e será decidido por eleição indireta entre os 70 deputados da Alerj, a chapa será formada por Douglas Ruas e Nicola Miccione. Já para a disputa eleitoral de outubro, Ruas deve ter como vice o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP). A estratégia reforça o objetivo de manter o controle político e administrativo do governo estadual durante a transição, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para a disputa nas urnas. A informação foi divulgada originalmente por Cláudio Magnavita, do Correio da Manhã, e confirmada pela Agenda do Poder.

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