
O Centro Carioca do Olho (CCO), em Benfica, realizou o primeiro transplante de córnea da rede municipal de saúde do Rio de Janeiro. A unidade, apontada como o maior centro oftalmológico da América Latina, passou a oferecer o procedimento após receber habilitação para cirurgias de alta complexidade, ampliando a rede pública de atendimento pelo SUS na cidade.
A primeira paciente atendida foi Aline Domingues, de 45 anos. Com diagnóstico de ceratocone, uma doença que afeta a estrutura da córnea, ela esperava havia anos pela cirurgia. O transplante foi feito no dia 10 de março, na córnea esquerda, após consultas e exames realizados ao longo de fevereiro no próprio CCO.
Segundo a unidade, a cirurgia durou cerca de uma hora e meia e foi concluída com sucesso. Aline recebeu alta cerca de 30 minutos depois do procedimento e seguirá em acompanhamento nos próximos meses.
“Eu já conhecia o Centro Carioca do Olho, pois acompanhei meu marido na unidade e fiquei muito surpresa positivamente. Queria fazer meu transplante aqui. Meu problema de visão trouxe outras doenças, tive que parar de trabalhar e ser dependente das pessoas ao meu redor. Agora, tenho tratamento de excelência. Eu vou ter a chance de voltar a viver, sair sozinha, não pegar ônibus errado por não conseguir enxergar, poder retomar aos poucos a normalidade da minha vida”, disse Aline Domingues.
O transplante de córnea é indicado quando o paciente perde a transparência ou a regularidade da córnea, comprometendo a visão. Isso pode ocorrer em quadros como ceratocone avançado, cicatrizes, infecções e falência de transplantes anteriores. O procedimento substitui parcial ou totalmente a córnea afetada por um tecido saudável vindo de doador.
Para passar a oferecer esse tipo de cirurgia, o Centro Carioca do Olho precisou ser habilitado pelo Sistema Nacional de Transplantes, ligado ao Ministério da Saúde. Entre as exigências estão equipe especializada, centro cirúrgico adequado, rastreabilidade do tecido, integração com banco de olhos e estrutura para o acompanhamento pós-operatório.
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, afirmou que a oferta do transplante de córnea já estava prevista desde a inauguração da unidade, em 2023.
“Realizamos a promessa de oferecer o transplante de córnea no Centro Carioca do Olho, assumida na inauguração da unidade, em 2023. Estamos falando de um dos procedimentos com maior taxa de êxito no pós-cirúrgico do paciente, capaz de transformar vidas, e que agora é oferecido na rede municipal. Trata-se de um avanço fundamental para o Sistema Único de Saúde da cidade”, afirmou Rodrigo Prado.
No Estado do Rio, a regulação dos transplantes é feita pelo Programa Estadual de Transplantes (PET), da Secretaria de Estado de Saúde. Cabe ao órgão distribuir os tecidos às unidades credenciadas e organizar a fila dos pacientes.
Por segurança, o transplante de córnea só pode ser realizado em um olho por vez. Por isso, Aline Domingues ainda terá de voltar à fila do PET para fazer o procedimento no outro olho. Enquanto aguarda a recuperação da cirurgia recente, ela usará uma lente especial no olho direito.
Para o coordenador-geral do Super Centro Carioca de Saúde, Alexandre Modesto, a nova habilitação pode ajudar a melhorar os indicadores do estado na área.
“Infelizmente, o Estado do Rio tem um dos piores desempenhos nas estatísticas de transplante de córnea do país. O grande desafio do estado é a captação do tecido, mas, sem dúvida, a disponibilidade das dez salas cirúrgicas do Centro Carioca do Olho para a realização desta cirurgia amplia a agilidade, a qualidade e a segurança dos transplantes. A expectativa é de apresentarmos crescimento progressivo, conforme regulação e disponibilidade do tecido pela regulação estadual”, declarou Alexandre Modesto.
Para ter acesso ao transplante, o paciente precisa ser incluído no Sistema Nacional de Transplantes por indicação médica, após avaliação clínica especializada. A porta de entrada é a rede de Atenção Primária, por meio de centros municipais de saúde e clínicas da família, que encaminham para consultas e exames.
Inaugurado em fevereiro de 2023, o Centro Carioca do Olho já soma mais de 1,4 milhão de procedimentos, entre consultas, exames e cirurgias. A unidade oferece ainda tratamentos de catarata, estrabismo e glaucoma. No mesmo complexo funciona a Ótica Carioca, primeira ótica do SUS no país, que já distribuiu mais de 73 mil pares de óculos gratuitos.