
A ALERJ precisa parar um momento e, se possível, pensar na pacificação do estado do Rio de Janeiro. Para isso, basta eleger um dos seus como governador tampão: o deputado estadual Chico Machado (Solidariedade), ao invés da aposta em Douglas Ruas (PL) ou André Ceciliano (PT).
A razão é simples: o risco de judicialização entre estes nomes é gigantesco. A legislação federal é clara quando diz que, para ser candidato, é preciso se descompatibilizar com, no mínimo, 6 meses da data da eleição. Por mais que uma eleição indireta, como deve ser o caso, seja sui generis, há de se convir que o prazo de apenas 24 horas chega a ser um acinte ao espírito da Lei.
O PSD de Eduardo Paes já entrou com uma ação, e caiu na mão do Ministro Fux, no STF. A aposta é que ele conceda uma liminar a favor do PSD e suspenda a chamada eleição tampão, prejudicando fortemente a política do Rio, ou mude as regras já aprovadas na ALERJ. No final das contas, quem continuará a governar é Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça.
E o que acontece? O Desembargador Couto de Castro já demonstrou que não quer problemas para o seu CPF. Durante alguns dias em que ficou governador, durante viagem de Cláudio Castro para o exterior, ele apenas publicou um decreto, declaração de um ponto facultativo, e, ainda assim, somente após o parecer da Procuradoria Geral do Estado. É fato que o estado vai ficar muito lento, senão parado, enquanto Couto de Castro for governador interino. Mais pelas qualidades do magistrado do que por seus defeitos. E o prazo, com a judicialização, pode passar muito de apenas um mês, podendo se estender, quem sabe, até janeiro, quando o novo governador tomar posse.
É aí que surge o nome de Chico Machado como uma solução que pode agradar a ALERJ e salvar o estado. Afinal, Machado não teria problemas legais de descompatibilização para assumir o mandato de governador tampão. Não ocupa nenhum cargo no Poder Executivo, está em um partido que faz parte das duas bases (municipal e estadual) e é simpático a (quase) todos.
Politicamente, Chico Machado é menos um deputado de grande vitrine e mais um nome de articulação. A trajetória dele passa por cinco mandatos como vereador em Macaé, pela eleição para a ALERJ e por funções de confiança no núcleo do poder estadual, como a liderança do governo Cláudio Castro na Assembleia e a passagem pela Secretaria de Estado de Governo. Esse percurso mostra um perfil de operador político, com trânsito entre Legislativo e Executivo.
No tabuleiro da ALERJ, ele parece funcionar como um quadro confiável do campo governista. Ter sido escolhido por Cláudio Castro para liderar o governo e depois virar corregedor parlamentar indica que ele é visto como alguém de confiança, com capacidade de mediação interna e boa circulação entre bancadas. Isso sugere um político de bastidor, mais valorizado pela previsibilidade e pela negociação do que por confronto ou protagonismo ideológico. Essa última leitura é uma inferência a partir dos cargos que ocupou.
No conteúdo político, ele tende a combinar três frentes. A primeira é interior e municipalismo, especialmente Macaé e região. A segunda é a governabilidade, pela proximidade com o Palácio Guanabara. A terceira é uma agenda com peso em segurança pública e infraestrutura, áreas em que ele aparece em discursos, emendas e articulações legislativas.
Chico Machado não é, hoje, o deputado mais barulhento do plenário, mas é um nome com lastro regional, fidelidade ao grupo de Cláudio Castro e perfil de engrenagem do governo dentro da ALERJ. Para quem observa a política fluminense, ele parece menos um “candidato de opinião” e mais um parlamentar de estrutura, interior e articulação.
Talvez seja este o perfil necessário para o governador tampão: alguém discreto, articulador e com experiência para tocar a máquina sem alarde.