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Cientista político Bruno Kazuhiro deixa direção do Novo e se filia ao PSD

Foto: Rafael Pereira

Destaque na política no campo da direita fluminense, o jovem cientista político Bruno Kazuhiro decidiu deixar o Partido Novo, onde atuou como articulador da legenda durante dois anos e meio, e migrar para o PSD do prefeito e pré-candidato a governador Eduardo Paes. O principal motivo alegado é a guinada do Novo em direção à extrema direita, fechando aliança com os bolsonaristas mais radicais.

Oriundo da escola política do ex-prefeito e hoje vereador Cesar Maia e se classificando como direita liberal, Kazuhiro diz ser do diálogo e que não mais estava sendo ouvido na agremiação que surgiu no Brasil com a proposta de fazer política de forma diferente. Em sua nova caminhada, ele vai coordenar a campanha do pré-candidato a deputado estadual, o vereador Pedro Duarte, considerado um dos melhores parlamentares da atual gestão no legislativo carioca.

Apesar da pouca idade (38 anos), Kazuhiro já possui experiência política e administrativa de gente grande. Durante sete anos, coordenou a assessoria técnica do mandato do vereador Cesar Maia. Foi secretário dos dois protagonistas das eleições deste ano no estado, o governador Claudio Castro (PL) e o prefeito Eduardo Paes. No estado, foi secretário de Infraestrutura e Obras, e no município, secretário de Turismo.

Antes disso, foi presidente municipal, estadual e nacional da Juventude dos Democratas, passando por cargos de direção ainda pelo PSDB e Novo. Foi candidato por duas vezes a deputado estadual, em 2018 e 2022. Com base em suas experiências no estado e no município, ele aponta a principal dificuldade do próximo governador: “A memória administrativa. A prefeitura tem, o estado não”.

DIÁRO DO RIO: O senhor foi um dos articuladores políticos do Partido Novo nos últimos anos no Rio de Janeiro e acabou de sair da legenda, acompanhando a debandada de militantes do Diretório Municipal, após a saída do vereador Pedro Duarte. Quem mudou, o Novo ou o senhor?

Bruno Kazuhiro: A vida toda eu sempre fui uma pessoa de centro-direita. Fui presidente nacional da Juventude do Democratas, que era um partido de centro-direita. Sempre fui oposição ao governo Lula e ao governo Dilma nessa época. Então, eu acredito que eu não mudei, eu continuo sendo uma pessoa de centro-direita. Acontece que quando eu fui convidado, em junho de 2023, pra participar desse projeto do Partido Novo no estado do Rio de Janeiro, eu fiquei 2 anos e meio trabalhando um projeto de amadurecimento do partido, um projeto de profissionalização da legenda. De um entendimento na política de uma maneira mais pragmática e uma lógica de ser um partido que tinha correntes de centro-direita e correntes de direita. Hoje, o partido se coloca numa posição mais rígida, numa posição de direita mais dura, mais conservadora.  Acontece é que as correntes partidárias de centro direita, mais moderadas, mais liberais, se sentem desconfortáveis e já não eram ouvidas. O diretório municipal adota essa mesma postura.

Diante deste quadro, houve uma renúncia coletiva do diretório estadual, ficando apenas o presidente Rodrigo Rezende. Eu não deixei a articulação do Partido Novo por conta de uma questão apenas ideológica. Eu deixei porque entendia que esse caminhamento que o partido tá fazendo de mais rigidez, ele dificulta muito o meu trabalho profissional de construção das chapas de deputado estadual e deputado federal. Eu não acredito que sem uma dose de pragmatismo, sem um certo pluralismo, sem uma certa democracia interna, seja possível montar chapas competitivas.

Resumindo, era muito incômodo pra mim alertar o partido que uma corrente de pensamento único não conseguiria ter bons resultados, teria que contar também com candidatos moderados, de centro-direita e não apenas com candidatos mais conservadores, bolsonaristas e eu não era ouvido pelos dirigentes estadual e nacional. Eu via que isso apontava para um caminho que não seria bem sucedido. Então, eu fiquei numa situação aonde o partido fazia algo que eu não acreditava profissionalmente que era o caminho correto, fazia algo que ideologicamente, eu discordava e, no final das contas, a responsabilidade dos resultados seria a minha. Eu entendi que havia ali um desalinhamento entre a minha visão política e a visão política do partido e eu achei melhor não ser obstáculo.

DIÁRIO DO RIO: Em suma, o Partido Novo foi pra extrema direita?

Bruno Kazuhiro: Eu não diria isso. Eu diria que o Novo passou a querer disputar apenas o eleitorado que já é do PL e eu entendo que a estratégia mais inteligente seria disputar todo o eleitorado que vai do centro para à direita. Eu acho que você ter todos os candidatos disputando um mesmo eleitorado vai gerar uma canibalização dos candidatos e gerar uma chapa mais frágil. No cenário político do Rio de Janeiro, esse eleitor já tem uma preferência pelo PL e eu não sei qual o voto que vai sobrar para os candidatos do Novo se todos tiverem a mesmas propostas que o PL tem.

DIÁRIO DO RIO: Apesar da pouca idade (38 anos), o senhor já tem um amplo currículo na política. Nos conte um pouco de sua carreira e de onde veio o gosto por uma área geralmente menosprezada pelos jovens, atualmente?

Bruno Kazuhiro: Eu comecei muito cedo, com 19 anos. Estou com 38 e posso dizer que metade da minha vida foi na política. Três coisas me fizeram gostar da política. A primeira é que no colégio, eu gostava muito de geografia, de história, de atualidades, de ciências humanas, sociologia, filosofia. Então, eu já tinha uma inclinação para Ciências Humanas e para a política, digamos acadêmica.

Em segundo lugar, eu sempre fui muito fã do ex-prefeito César Maia. Eu tinha uma admiração pessoal por ele que me fez buscar um contato direto com ele. A terceira coisa é que meu pai e minha mãe são professores. Minha mãe dá aula até hoje no estado e meu pai foi do ensino privado. Eles sempre foram muito politizados e sempre discutiram muito política em casa. Quando eu fui fazer vestibular, eu queria fazer Ciência Política só que, infelizmente, a minha família não tinha dinheiro pra me sustentar em Brasília. A UNB era o único lugar que tinha o curso.

Então, eu fui orientado a fazer o vestibular para universidades no Rio de Janeiro. Eu acabei fazendo Direito, passei e sempre fui um bom aluno.  Na UFRJ, eu vi que todas as correntes políticas do Direito no Centro Acadêmico eram todas de esquerda e eu não concordava. Eu nunca fui uma pessoa radical, extremista. Sempre fui de diálogo, um cara de construção, mais liberal. Um cara mais a favor da meritocracia, do empreendedorismo. Me entendia como alguém da democracia liberal, da centro-direita e eu não me identificava com essas correntes políticas da faculdade.

Um dia, eu li uma entrevista do Cesar Maia, aonde ele dizia que gostava de trabalhar com jovens e que ele mesmo respondia os e-mails que lhe era endereçados. Eu resolvi experimentar e, lá de Campo Grande, na Zona Oeste, filho de professores, um anônimo, mandei um e-mail pra ele, com 19 anos. Pra minha surpresa, ele responde e me chama pra almoçar com ele na prefeitura. Foi uma coisa que me marcou profundamente pela humildade dele.

Eu comprei roupa nova, pesquisei como comer com 3 garfos, 3 facas porque achei que ia ser banquete na prefeitura. Chegando lá, vi que era uma mesa simples, uma comida simples. Ele me dedicou uma hora e meia de atenção e me convidou pra fazer parte da juventude do Democratas, que era o partido dele em 2007.  Aí eu entro na juventude do partido. Modéstia à parte, sempre fui muito trabalhador, dedicado, pontual e não faltava a compromissos. Aí eu fui me destacando e crescendo e virei vice-presidente e, depois, presidente do Rio de Janeiro e presidente nacional da Juventude do Democratas.

DIÁRIO DO RIO:  Você já foi secretário do prefeito Eduardo Paes (PSD) e do governador Cláudio Castro (PL), adversários políticos e atualmente os protagonistas da eleição de 2026. Alguma preferência? Os estilos de atuar são diferentes?

Bruno Kazuhiro: Eu acho que o fato de eu ter sido secretário do governador Cláudio Castro e do prefeito Eduardo Paes e, hoje, ter boa relação com ambos, ter boa relação com as equipes de ambos, os secretários me tratam muito bem, gostam de mim, a gente bate papo, dialoga. Eu acho que isso vem muito dessa questão de ter as minhas convicções bastante claras de centro-direita, mas nunca ser no ódio, nunca ser um ataque pessoal, nunca ser na tentativa de desconstrução do outro, mas sim na tentativa de construir e entregar bons resultados e boas políticas públicas.

Eu sempre tentei conquistar meu mérito, deixar meu legado e obter reconhecimento profissional. Eu nunca tentei crescer pisando em ninguém, brigando com ninguém.  Com relação ao estilo do Cláudio Castro e do Eduardo Paes, eu acho que são duas diferenças que têm que ser levadas em consideração. A primeira diferença é que o Eduardo Paes vence a eleição pra prefeitura do Rio depois de já ter sido candidato a governador, ter sido deputado federal, secretário do Cesar Maia na prefeitura do Rio, ter sido subprefeito. Então, o Eduardo vira prefeito já com conhecimento maior da máquina pública municipal.

O Cláudio Castro, por sua vez, é eleito vice-governador tendo sido apenas vereador por um mandato e a governadoria cai no colo dele com a saída do Wilson Witzel. Depois, obviamente, ele tem o mérito de se reeleger no primeiro turno.

A segunda coisa é que a prefeitura do Rio tem um quadro técnico concursado, estável e muito qualificado e que guarda a memória dos processos administrativos, enquanto o governo do estado tem uma maioria de cargos comissionados de livre nomeação e exoneração, aonde essa memória dos fluxos administrativos se perde. Então, é mais difícil governar o estado do que governar a prefeitura do Rio porque o estado parece que a cada governo começa do zero, enquanto a prefeitura do Rio tem uma continuidade natural por conta desse quadro de concursados, da memória administrativa.

Quando fui secretário de Turismo, eu contava com diversos concursados que me ajudavam a tocar os projetos porque conheciam os trabalhos que tinham sido feitos anteriormente. No governo do estado, eu entro na Secretaria de Infraestrutura e Obras, uma pasta complexa, e eu tinha quase 95% do efetivo comissionado. Ou seja, sem memória das administrações passadas.

O terceiro item é o fato de o Estado ser maior, com 92 municípios, mais que o dobro de população do Rio, os problemas socioeconômicos que a Baixada Fluminense e São Gonçalo têm. A diferença de desenvolvimento do nosso interior pra nossa Região Metropolitana. Esta magnitude leva as secretarias a tentar ser uma espécie de mini governo. Tentam resolver os problemas inerentes a sua pasta e também das outras.

Na prefeitura é o contrário. É um território e uma população menores, mais desenvolvido, com o poder aquisitivo da população maior. Assim, as secretarias são mais integradas. Às vezes, você tem temas que envolve quatro a cinco secretarias, o que te obriga a um diálogo diário entre as repartições.

No Estado, às vezes, quando você vai a um município, o prefeito diz que faz uns seis meses que ninguém do governo vai lá e trata das demandas da sua secretaria, mas também das outras. Aí você acaba atuando em todas as frentes inerentes a sua pasta e nas que o prefeito pede das outras secretarias.

Na prefeitura do Rio, quando acontece o problema, você chega no local achando que vai ser o primeiro e já tem várias outras secretarias atuando na área. A disputa não é pra ver quem vai resolver o problema e, sim, quem vai ter o protagonismo porque já tem um monte de gente tentando resolver o problema.

Essa é uma diferença fundamental do governo do estado com a prefeitura é que também independe de Eduardo Paes e de Cláudio Carlos. Enfim, o Eduardo Paes é um gestor ímpar, que toca a máquina pública com muita habilidade. Não é à toa que foi eleito 4 vezes prefeito. Se ele tiver sucesso neste projeto de ser governador, vou apoia-lo, ele vai ter que se adaptar a essa realidade do governo do estado.

DIÁRIO DO RIO: O que o senhor assimilou de ensinamento político administrativo dessas 2 experiências nas secretarias de Infraestrutura e Obras do Estado e na municipal de Turismo? Cite um projeto que você tem muito orgulho dele.

Bruno Kazuhiro: Eu fui secretário pela primeira vez muito jovem, com apenas 31 anos e a gente chega achando que vai revolucionar tudo e fazer tudo sozinho. Então, eu tive 2 ensinamentos que parecem meio óbvios, mas que foram muito importantes pra mim. Primeiro, se você deixar uma contribuição, um legado bacana, ter feito boas entregas depois que passou por lá, você fez a sua parte.

A segunda coisa é como manobrar navio. Você não consegue manobrar navio rápido. Você não consegue dar cavalo de pau em navio. Você pode começar a curva e se ela for pro lado correto, já é um bom negócio. Não dá para fazer tudo sozinho. Você tem que ter equipe, ter retaguarda. Todo secretário é como uma espécie de relações públicas. Enquanto você tá tratando sobre o setor turístico ou com os prefeitos que precisam de uma intervenção de infraestrutura, você vai ter que ter os seus técnicos trabalhando na secretaria, ter seus subsecretários cobrando os prazos, ter o seu financeiro e o setor de licitações garantindo a ética, relações com o Legislativo.

Às vezes o cara foi deputado ou vereador e estava acostumado a vocalizar sozinho e construir a sua narrativa. Quando você chega no Executivo, não adianta vocalizar sozinho. Assim, não tira nada do papel. Você precisa ter um time, ter quadros, ter uma retaguarda.

Dos projetos que eu tenho muito orgulho, vou citar um de cada órgão. Quando eu fui secretário de Infraestrutura e Obras, eu senti muito orgulho de ter tirado do papel o Hospital Modular de Nova Iguaçu, hoje chamado Hospital Estadual Doutor Ricardo Cruz. Este hospital modular foi um desafio que me deram na época de deixar um hospital de verdade que ficasse de legado pós-pandemia e, ao mesmo tempo, tinha que ser construído muito rápido, porque tínhamos que salvar vidas na pandemia.

Estudamos muito e encontramos a tecnologia americana do Steel frame, tipo um lego de aço que você monta e reveste por dentro de dry wall e por fora com placas cimentícia. Não é um contêiner e têm durabilidade de 100 a 200 anos. É uma obra de verdade, com estação de tratamento de esgoto, subestação elétrica, necrotério, 300 leitos e conseguimos entregar tudo isso em 120 dias. Saiu mais barato do que o valor que foi orçado e foi aprovado por todos os órgãos de controle.

O outro projeto que eu tenho muito orgulho foi o “Dias de Glória”, quando fui secretário de Turismo da prefeitura. Identificamos que a Glória tinha uma centralidade turística que poderia se transformar em um incremento para o bairro. Estava um pouco abandonado, escuro, muito problema de segurança. Entendemos que o bairro tem uma história muito rica, muito patrimônio e monumentos tombados e preservados e muitas áreas verdes e uma área cultural muito pulsante. A Feira da Glória, as rodas de samba, o Beco do Rato.

A gente faz ali um projeto de reerguimento do potencial da Glória, revitalizando, com recursos próprios, 14 áreas públicas do bairro, investindo R$ 25 milhões. Foi em parceria com a secretaria de Conservação. Nós idealizamos o projeto e a Conservação fez as obras. Dialogamos com os moradores, com os coletivos do samba, com os feirantes. Tudo foi revitalizado e hoje o resultado é que a Feira da Glória é a maior e mais turística da cidade. A Glória hoje tem o setor privado entrando com novos parceiros e surgindo novos restaurantes, ateliês e uma alta na valorização dos imóveis.

As praias do Aterro voltaram a ser frequentadas, como também o Centro histórico do Rio, com a Glória em uma posição geográfica privilegiada, com sua história e o seu potencial. Até hoje, quando eu ando pelo bairro, algumas pessoas me cumprimentam e agradecem pelo projeto. São legados e o reconhecimento é que ficam da nossa capacidade profissional. A gente não vai ter aplauso e poder todo dia. Mas a gente acorda de manhã sabendo que a gente entregou alguma coisa bacana pra população.

DIÁRIO DO RIO:Você também já trabalhou com o ex-prefeito César Maia, hoje vereador.O que aprendeu com ele e quais ensinamentos carrega contigo?

Bruno Kazuhiro: Dessa convivência, eu aprendi tudo. O César Maia me convidou pra entrar na política aos 19 anos. Depois de me destacar na Juventude do Democratas, ele me faz o convite muito honroso pra ser seu coordenador legislativo na Câmara dos Vereadores. Eu que fazia os projetos de lei, os requerimentos de informação. Eu que o acompanhava no plenário. Eu fui praticamente uma sombra dele na Câmara de Vereadores durante 7 anos. Ele chegava na Câmara, eu era o primeiro que ele cumprimentava. Ele ia embora da Câmara, eu era aquele que o deixava no carro. Aprendi muito com os discursos dele na tribuna, com os projetos de lei que ele idealizava, mas também, nos bastidores. O que dizer e o que não dizer. O que fazer e o que não fazer. Como me comportar em algumas situações. Como resolver certos problemas. Como gerir e motivar sua equipe. Tenho uma extrema e eterna gratidão por ele.

Com ele, aprendi a fazer negociação, aperfeiçoei minha oratória. Estou à disposição dele para o que precisar. Sou Cesar Maia e vou morrer Cesar Maia. Às vezes a gente troca de partido, faz outros projetos, mas eu sempre serei do grupo do César Maia.

Estive na comemoração de 80 anos dele na Câmara de Vereadores no ano passado. Fiquei muito feliz de vê-lo lá e tanta gente falando tantas verdades positivas sobre o César Maia. Todo dia, e não é exagero, todo dia quando eu tenho alguma coisa pra resolver, ou quando eu tenho uma história pra contar, ou quando eu tenho um trabalho pra interpretar, de alguma maneira, eu tô aplicando alguma coisa que o Cesar Maia me ensinou. (emocionado, Kazuhiro finaliza a resposta).

DIÁRO DO RIO: O senhor será o coordenador da campanha do pré-candidato a deputado estadual Pedro Duarte, recém filiado ao PSD, partido do prefeito Eduardo Paes. Em entrevista a este portal, Pedro fez críticas ao estilo político de atuação da Família Bolsonaro. Qual a sua visão sobre o bolsonarismo? Faz parte do espectro de alianças do Pedro ou descarta qualquer tipo de aproximação?

Bruno Kazuhiro: O Pedro pretende ser um candidato de centro-direita. Uma direita sensata, uma direita moderada que vai debater com bastante firmeza a questão da segurança pública, a questão da desordem urbana, questão do crime organizado, que hoje tá presente infelizmente na Assembleia Legislativa. A questão é que, embora sendo de direita, o Pedro não é uma pessoa de ódio. Ele é uma pessoa de diálogo e que vai escutar as opiniões divergentes. Não deseja o mal daqueles que pensam diferente dele.

 O Pedro Duarte está disposto a construir consensos, fazer um debate propositivo. Hoje ele é presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara de Vereadores. Não tem como não debater um tema tão relevante como o nosso desenvolvimento, a questão urbanística, a questão do planejamento da cidade pro futuro sem escutar opiniões que são divergentes. Ele vai sentar com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), com o CREA, com a prefeitura, com a sociedade civil. Não dá pra ser intransigente, nesses momentos.

Eu acho que essa é a grande questão quando se fala do bolsonarismo. Acho que é democrático que algumas pessoas queiram votar na família Bolsonaro. É democrático que os bolsonaros sejam candidatos. A questão é que eles não serão os nossos candidatos porque nós queremos um candidato que dialogue com todos os segmentos da sociedade. Um candidato menos intransigente. Então, nós estaremos com o candidato a presidente do PSD, seja o governador Ratinho Júnior (PR), ou o governador Eduardo Leite (RS), ou o governador Ronaldo Caiado (GO). Qualquer um dos 3 nos parece uma direita mais inclusiva, mais plural, mais democrática, menos intransigente. Uma direita que vai tratar com respeito e com ordem daquilo que precisa ser corrigido, mas uma direita que não odeia outras pessoas.

DIÁRIO DO RIO: Você foi candidato à deputada estadual nas últimas 2 eleições (2018 e 2022) e agora se limita a coordenar uma campanha. O que o levou a desistir de uma carreira política? Pensa em retornar?

Bruno Kazuhiro: Tenho 38 anos e não posso dizer que eu nunca mais vou ser candidato a nada. No futuro, novos desafios e eu posso mudar de ideia. No momento, estou mergulhado no projeto do Pedro Duarte, no qual acredito profundamente. É um projeto que me representa. Ele vem fazendo um mandato de vereador muito bom, que talvez eu não tivesse a capacidade de fazer. Merece ser deputado estadual e melhorar o nível dos parlamentares na Assembleia Legislativa.

Quando a Polícia Federal mostra que mais da metade dos deputados estaduais tem algum envolvimento com o crime organizado, então eu acho que é preciso que a Alerj tenha um Pedro Duarte. Ele é um quadro que representa o que eu acredito. Eu sou um cara bastante pé no chão em campanha eleitoral. Tem que ter também viabilidade. Eu fui candidato 2 vezes, mas no primeiro momento eu era o presidente nacional da juventude do Democratas e o chefe da assessoria técnica do César Maia.  Estava tentando me posicionar e começar uma trajetória. Era uma candidatura de teste.

Na segunda candidatura eu tinha acabado de ser secretário, tanto do governo do estado, quanto da prefeitura do Rio. Eu tinha um grupo em torno de mim e tinha uma viabilidade eleitoral maior nesse momento. Agora, apoio um político que eu acredito e é um candidato mais viável do que eu.

Daqui a uns 10 anos posso voltar a ser candidato, mas nesse momento eu entendo que o Pedro Duarte é um candidato que totalmente me representa e que tem uma chance de vitória muito grande.

Diário do Rio: Possibilidades de diálogo e, até mesmo, alianças com a centro-esquerda?

Bruno Kazuhiro: Pedro já disse em entrevistas que nós não estaremos com Lula em nenhuma hipótese pra presidente da República. Todos os 3 candidatos do PSD apresentados até agora têm o nosso apoio. São pessoas de centro-direita e nos representam. O Tarciso de Freitas, governador de São Paulo, também seria um ótimo nome. Qualquer um desses 4 nomes seria ótimo. O que a gente não gostaria seria um nome que viesse da centro-esquerda ou que tivesse essa origem, porque não estaria representando os nossos valores políticos.

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