quinta-feira, 10 de setembro de 2026 - 11:38

Coluna Educação e Atualidades

OPINIÃO e PRECONCEITO

Opinião é uma exigência da atualidade. Saber a respeito do mundo e saber se colocar diante da realidade.

A tarefa, todavia, é árdua; afinal, há muita informação e muitos meios de comunicação. Há informação em tempo real sobre tudo. Isso é bom (já que nos dá mais condições de decidir e escolher), mas é também arriscado (porque, com tanta informação à disposição, como saber o que é e o que não é “verdade”? O que é notícia e o que é pura e simples fantasia?).

A grande batalha é processar as muitas informações e fazê-las se tornarem conhecimento. Ou seja, fazer um esforço intelectual para capturar as informações e trabalhá-las por meio da inteligência e da criatividade. Informação, por si só, é mera notícia. A agenda é fazer, da informação, conhecimento; e, mais do que isso: do conhecimento, opinião.

Em outras palavras: tomar partido das situações; defender o bem, lutar pela melhoria de vida, combater as injustiças e corrupções e, acima de tudo, disseminar a paz.

Faz parte do saber, saber comunicá-lo. Quem sabe, sabe se expressar; sabe ajudar os outros a ver melhor e a tomar posições com opinião séria.

Nisso tudo, os meios de comunicação são, ao mesmo tempo, um excelente e um péssimo instrumento. Tanto para alienar, quanto para esclarecer. Ao público, cabe o poder da escolha; cabe decidir esse ou aquele posicionamento. Opinião é, acima de tudo, escolha e posição.

Opinião, todavia, não pode se confundir com agressão. As palavras devem edificar. Quem usa as palavras para agredir deve ser, gentilmente, desconsiderado. As palavras são emissárias de ideias. E ideias são sempre bons ingredientes para transformar a realidade. Especialmente quando vêm acompanhadas de seriedade e amor ao próximo.

Em geral, opinião soba máscara da agressão é o mesmo que preconceito. E, não raro, o preconceito tem mais a ver com pessoas do que com ideias. Às vezes, o problema não é “o que” se diz, mas “quem” está dizendo.

Mesmo entre os maiores militantes por direitos humanos, por exemplo, há resistência a determinadas pessoas. Não pelo que essas pessoas são; mas pelo que parecem ser, ou por aquilo que julgam que elas sejam.

Quando opinião se forma com base em especulações e ilações, o caminho está totalmente pavimentado para o preconceito. Sobre ideias (sobre opinião), é possível dialogar (mesmo com controvérsias); com preconceito, o que resta é silêncio ou, para almas mais despojadas, um sorriso de compreensão.

Por fim, vale uma advertência sobre as redes sociais e a impressão de que se está o tempo todo em contato com tudo e com todos. “As redes sociais não ensinam a dialogar porque nelas é muito fácil evitar a controvérsia. Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes.” (Z. Bauman)

A variedade de ambientes e personagens dá a sensação de pluralidade. Em geral, porém, o que se tem – graças aos algoritmos que regulam a dinâmicas das redes – é uma “ensimesmação”. Uma espécie de círculo vicioso em que quanto mais se fala sobre isso mais isso aparece na telinha.

Opinião só se forja sob a pluralidade das ideias e com o diálogo com a diferença. Fora disso, o que se tem é repetição e preconceito.

Prof. Ricardo Lengruber
Doutor pela PUC-Rio, atua nas áreas de História, Filosofia e Direito.
Foi Secretario de Educação em Nova Friburgo e é membro da Academia Friburguense de Letras.
Tem livros e artigos publicados.

 

VEJA MAIS

Educação é prioridade para moradores de favelas do Rio nas eleições

No estado do Rio de Janeiro, 12,8 milhões de eleitores estão aptos a ir às…

Prevenção ao suicídio: profissionais de saúde destacam riscos com bets

Diante do sofrimento psíquico provocado em pacientes que relatam dependência em apostas virtuais (as bets),…

PF faz operação contra desvios de dinheiro de emendas parlamentares

A Polícia Federal (PF) faz, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Make Up, para…

Ir para o conteúdo