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Com avanço da IA, Rio tenta virar polo de data centers e mira novos projetos na capital, no Açu e em Niterói

Imagem gerada por Inteligência Artificial

O Rio de Janeiro quer deixar de ser coadjuvante e ganhar mais espaço na corrida dos data centers, um mercado que passou a andar em ritmo muito mais acelerado com a expansão da inteligência artificial. O estado já aparece entre os polos relevantes do país, mas ainda bem atrás dos grandes hubs paulistas. Agora, tenta mudar esse jogo com uma combinação de projetos privados, discurso de inovação e uma aposta clara em infraestrutura digital.

O principal projeto em curso é o Rio AI City, anunciado pela Prefeitura do Rio em parceria com a Elea Data Centers para a região do Parque Olímpico, na Barra. A empresa fala em uma primeira fase com 1,5 GW de energia renovável e certificada, com possibilidade de expansão até 3,2 GW, o que colocaria o empreendimento em outro patamar no mapa latino-americano. A aposta da cidade é usar a conectividade herdada da infraestrutura de grandes eventos, a proximidade com cabos submarinos e a disponibilidade energética como ativos para atrair operações ligadas à IA e à nuvem.

O projeto, no entanto, ainda está na fase em que entusiasmo e execução precisam andar juntos. A Elea afirma que a primeira etapa depende da consolidação da infraestrutura de energia, da preparação dos terrenos e das autorizações necessárias. A Light participa da fase inicial, e a empresa sustenta que já há garantia de 250 MW para sustentar o arranque do complexo. É muito, mas ainda é só a largada diante do tamanho prometido.

Fora da capital, o outro nome que aparece com força é o Porto do Açu, em São João da Barra. O complexo portuário vem se apresentando como candidato a hub de infraestrutura digital e já firmou memorando com Consag e Vertin para estudar a implantação de data centers de até 1 GW. O argumento é conhecido, mas poderoso: disponibilidade de energia, área para expansão, acesso à água e posição logística capaz de atender operações de grande escala.

No Centro do Rio, o movimento é menor em escala, mas importante como sinal político e urbano. O Porto Maravalley anunciou um novo centro de dados voltado a startups, pesquisadores e empresas, com proposta de combinar processamento de dados, ambientes de convivência e experimentação em IA. É outro tipo de iniciativa, menos industrial e mais conectada ao ecossistema de inovação da cidade. Ainda assim, ajuda a mostrar que a corrida dos data centers no Rio não se resume a grandes galpões e subestações.

Em Niterói, a prefeitura tenta entrar nesse mapa por uma via parecida com a do ecossistema tecnológico. O chamado Distrito de Inovação da Cantareira, cujo marco zero está previsto para 30 de março, é apresentado como um ambiente integrado de ciência, tecnologia e inovação. Entre as promessas do projeto está a criação de um data center de alto desempenho, ligado a iniciativas de computação avançada, inteligência artificial e pesquisa.

Esse avanço, porém, está longe de ser apenas uma questão de obra e marketing institucional. O setor continua reclamando do custo de operar no Brasil. O PL 278/2026, que cria o regime especial Redata, já passou pela Câmara e está no Senado. A proposta tenta aliviar a carga tributária sobre equipamentos e serviços estratégicos para data centers. Em paralelo, empresas e entidades pressionam o Confaz por um convênio que permita aos estados reduzir em até 90% o ICMS na aquisição de bens de tecnologia ligados a esses projetos.

A pressão não é teórica. A Brasscom sustenta que os impostos representam uma fatia pesada do custo total de um data center no Brasil e que o país fica, em média, cerca de 30% mais caro do que concorrentes regionais. O argumento central é simples: esses investimentos não esperam indefinidamente. Quando o ambiente regulatório trava, o capital vai para outro lugar.

É justamente nesse ponto que o Rio revela sua ambiguidade. De um lado, tem energia renovável, cabos, mercado consumidor, grandes operadores e projetos relevantes. De outro, ainda não alcançou a escala dos polos consolidados e sofre com os mesmos entraves nacionais que o setor repete há meses: imposto alto, disputa por conexão elétrica e falta de segurança regulatória. O estado entrou no jogo, mas ainda não controla o ritmo da partida.

No fim, a inteligência artificial está funcionando como acelerador de uma transformação maior. O Rio quer ser mais do que vitrine turística e mais do que sede de eventos. Quer também vender energia, conectividade e território para a nova infraestrutura pesada do mundo digital. A oportunidade existe. O que ainda está em aberto é se o estado conseguirá sair do anúncio e virar, de fato, um polo competitivo na economia dos dados.

Com informações d´O Globo.

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