
O ex-governador do Rio Wilson Witzel voltou ao centro do noticiário político e jurídico ao acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar trancar uma ação penal que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ele busca suspender o processo para permanecer elegível e viabilizar uma nova candidatura ao Palácio Guanabara.
Cassado em 2021 após processo de impeachment, Witzel foi afastado sob acusação de envolvimento em esquemas de superfaturamento na construção de hospitais de campanha e na compra de respiradores e medicamentos durante a pandemia de Covid-19. Agora, com o processo de volta ao STJ, o ex-governador aposta numa ofensiva jurídica para tentar interromper a ação penal.
Processo retorna ao STJ após mudança de entendimento do STF
A ação penal foi aberta no próprio STJ em abril de 2021, quando Witzel ainda tinha foro por prerrogativa de função. No mês seguinte, após a cassação e a consequente perda do cargo, o processo foi remetido à primeira instância da Justiça Federal no Rio.
Em setembro de 2025, contudo, a ação retornou ao STJ, em razão de novo entendimento firmado pelo STF sobre o alcance do foro privilegiado. Pela decisão da Corte, o foro permanece válido mesmo após o término do mandato, desde que os fatos investigados estejam relacionados ao exercício da função — como é o caso das acusações envolvendo contratos firmados durante o governo Witzel.
A defesa do ex-governador impetrou habeas corpus no STF alegando irregularidades ao longo das investigações e pediu o trancamento da ação penal. O pedido tramita sob segredo de Justiça e ainda não foi distribuído a um ministro da Corte.
Estratégia para manter candidatura viável
A iniciativa no STF ocorre no momento em que Witzel tenta reconstruir sua trajetória política. Ele anunciou que pretende se filiar ao Democracia Cristã (DC) no próximo dia 6 de março, em evento previsto para a sede da legenda, no Centro do Rio. A filiação, segundo o próprio ex-governador, foi acertada em conversa com Aldo Rebelo, apresentado pelo partido como pré-candidato à Presidência da República.
Nos bastidores, aliados avaliam que a tentativa de suspender o processo no STF é peça-chave para manter o projeto eleitoral de pé. Embora ainda não haja condenação definitiva, o avanço da ação penal no STJ pode representar obstáculo jurídico e político à candidatura.
Nos últimos meses, Witzel vinha sinalizando intenção de voltar à disputa. Em julho de 2025, chegou a negociar filiação ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), mas as tratativas não avançaram.
Da ascensão meteórica ao impeachment
Eleito em 2018 na esteira da onda conservadora que marcou o pleito nacional, Witzel surpreendeu ao derrotar no primeiro e no segundo turnos o então favorito Eduardo Paes. O início do mandato foi marcado por alinhamento ao eleitorado de direita, mas a relação com Jair Bolsonaro se deteriorou rapidamente, após o então governador passar a ensaiar movimentos de projeção nacional.
Em 2020, ele foi afastado do cargo por decisão judicial sob acusação de envolvimento em irregularidades na gestão de contratos emergenciais da saúde durante a pandemia. No ano seguinte, sofreu impeachment e perdeu definitivamente o mandato.
Witzel sustenta que foi alvo de perseguição política e afirma que busca “uma nova chance” nas urnas. Enquanto articula o retorno à cena eleitoral, aposta agora na Suprema Corte para tentar interromper o processo criminal que pode comprometer seu caminho de volta ao governo do estado.